7 de setembro de 2011

DJALMA CORRÊA: BAIAFRO - 1978

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MÚSICA POPULAR BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA
Djalma Corrêa
BAIAFRO
Música Popular Brasileira Contemporânea - Baiafro


"Através da série M. P. B. C. - Música Popular Brasileira Contemporânea, a Phonogram se propõe a mostrar a gama diversificada de tendências hoje reveladas na música instrumental feita no Brasil, por profissionais instrumentistas, compositores e arranjadores, dispostos a encontrar o seu espaço dentro da música popular brasileira, ampliando o seu campo de ação e reconhecimento.
Coube à Phonogram criar condições para realização desse projeto, sem entretanto limitar ou interferir na concepção musical de cada um dos participantes."
"Agilidade, criatividade e domínio rítmico fazem de Djalma Corrêa um dos mais vigorosos percussionistas da atualidade. Como bom mineiro, ele vem trabalhando devagar e sempre, ao longo dos anos, na construção de uma sólida carreira de instrumentista, baseada em pesquisa, estudo e muita garra. Djalma é possuidor de instrumentos, incluindo atabaques e tambores de todos os tipos e tamanhos, flautas de encantadores de serpentes, panelas e pinicos. Isto sem falar dos instrumentos que ele mesmo inventa e constrói.
A característica mais marcante da Música Popular Brasileira sempre foi a riqueza rítmica. Injustamente relegada à condição de "cozinha", a percussão é aqui redimida pelas mãos de Djalma que sabe, como poucos, descobrir na polirritmia da vida seus silêncios e pulsações. O equilíbrio foi buscar nas verdes colinas de Ouro Preto, terra natal, onde alternava peraltices com cânticos de procissões e ensaiava as primeiras notas. Em Belo Horizonte, aprende bateria e alegra as festinhas da moçada com seus conjuntos de bossa nova. Aos 17 anos vai estudar Percussão e Composição nos seminários de Música da Universidade Federal da Bahia.
Aí entra o tempero. Mistura o barroco mineiro ao dendê, pimenta e folhas da rica culinária baiana e aprofunda o gosto afro-brasileiro. Fica em Salvador até 76. Nestes 17 anos desenvolve intensas pesquisas nos terreiros de candomblé, e, de gravador em punho entrevista pais e mães-de-santo, aprende os toques rituais e surpreende o riquíssimo universo cultural que envolve a negra Bahia.
Em 64 faz, juntamente com Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa e Maria Bethânia, entre outros, o espetáculo "Nós, Por Exemplo", marco inicial na carreira artístico-musical de cada um. Paralelamente participa de diversos festivais de música erudita da época com suas composições de música eletrônica. Faz fotografia e trilhas sonoras para filme e teatro. Em 70 cria o grupo de música e dança BAIAFRO, com o qual grava um LP lançado no exterior - "Salomão - The Dave Pike Set and Grupo Baiafro in Bahia"", e faz tournées e apresentações em todo país, sob o patrocínio do Instituto Cultural Brasil-Alemanha. Em 75 Djalma participa como convidado especial dos espetáculos que o guitarrista alemão Volker Kriegel e a Mild Maniac Orchestra fazem no Brasil. Em 76 reencontra, já no Rio, os quatro baianos e juntos voltam ao palco no show "Os Doces Bárbaros". Em novembro do mesmo ano vai com Maria Bethânia à Itália para o espetáculo de reabertura do Teatro Sistina. Em 77 produz o LP "Candomblé", selo PHILIPS e participa com Gilberto Gil do Festival de Arte e Cultura Negra, em Lagos, Nigéria, tocando também com este no "show" e LP "Refavela". Djalma Corrêa é o responsável pela execução do Projeto PHONOGRAM de Pesquisa e Documentação do Folclore do Brasil, realizado de 73 a 75, em todo território nacional e que reúne em fita, filme e fotografia as manifestações mais características de nossa cultura. Falar em Djalma é falar de um músico múltiplo, sanguíneo, Mago do Som, "bruxo" da polirritmia criadora e transformadora da raça brasileira."


"HOMENAGEM A UM ÍNDIO CONHECIDO" - evidencia a musicalidade da prosa e canto de um dialeto do tronco linguístico Gê. A recriação do clima natural é obtida através de pios, flautas e pequenos tambores nativos. Este índio foi encontrado há alguns anos atrás nas ruas de Salvador.
"SAMBA DE RODA NA CAPOEIRA" - é uma maneira um pouco mais erudita de cantar o samba de roda e a capoeira, duas das manifestações populares mais autênticas da boa terra. Nos versos, uma alusão à repressão policial que a capoeira sofreu no passado, superada graças à malícia e manha da nossa gente.
"BAIAFRO" - efetua a transfusão das matrizes africanas ao universo rítmico brasileiro.
"SAMBA DE OUSADIA" - bate-papo bem humorado entre a cuíca do exímio instrumentista Neném e o tambor-falante (talking-drum) de Djalma. O diálogo evolui para um samba quente, da queles que na Bahia costuma-se chamar "de ousadia", com todos os ingredientes da sensualidade negra.
"BANJILÓGRAFO" - é uma pequena caixa contendo teclas (semelhantes a uma máquina de escrever) sobrfe cordas finas. A linha melódica fica por conta do violão sertanejo de Sodré, baiano natural de Santo Amaro da Purificação.
"OS 4 ELEMENTOS" - trabalho experimental que parte do som natural da Água/Terra/Ar/Fogo para ubi-lo à cantiga e ao toque ritual do Orixá correspondente. Como se sabe, as divindades do panteão afro-brasileiro representam na sua grande maioria, as forças elementares da natureza.
"PIANO DE CUIA" (Kissange) - foi largamente utilizado pelos escravos no tempo do Brasil Colonial. O piano utilizado nesta gravação foi construído por Djalma que, nas suas pesquisas, encontrou alguns remanescentes deste instrumento entre descendentes africanos.
"TUDO MADEIRA" - inclui grande variedade de instrumentos deste material, entre os quais o balafon, flauta marroquina, cabaças, tambores, blocos e pulseiras.

FAIXAS
Lado 1
1. Homenagem a um Índio Conhecido (Djalma Côrrea)
2.  Samba de Roda na Capoeira
(Folclore Baiano, adaptação para coral de Fernando Cerqueira)

3. Baiafro (Djalma Corrêa)
4.  Samba de Ousadia (Djalma Corrêa)
5. Banjilógrafo (Djalma Corrêa)
Lado 2
1. Os Quatro Elementos
A - Água/Oxum 
B - Terra/Oxossi 
C - Ar/Yansã 
D - Fogo/Xangô 
(Temas tradicionais do Culto Afro-Brasileiro-Adap. Djalma Corrêa)5. Piano de Cuia (Djalma Corrêa)
6. Tudo Madeira (Djalma Corrêa)

Ficha Técnica:
Direção de Produção: Armando Pittigliani
Coordenação Musical: Marcos de Castro
Estúdio: Phonogram (8 canais)
Técnicos de Gravação: Jairo Gualberto - João Moreira
Auxiliares de Estúdio: Anibal - Julinho
Mixagem: Djalma Corrêa - A. Pittigliani
Corte: Ivan Lisnik
Ilustração e Capa: Aldo Luiz
Foto: Januário Garcia
Arte Final: Jorge Vianna
Gravações de base em 4 canais feitas no Estúdio gentilmente cedido pela Escola e Música e Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia. Técnico de gravação: RAILTON CORRÊA.
Participação especial nas faixas:
"SAMBA DE RODA NA CAPOEIRA" 
Coral da Juventude do Mosteiro de São Bento - Salvador, Ba
Solista: Paulo Gondim
Atabaques: Euvaldo Freitas (Vadinho) - 
Eduardo Freitas (Dudú)
"BANJILÓGRAFO" Raimundo Sodré - Violão
"OS QUATRO ELEMENTOS" Conjunto de Flautas "Musika Bahia"
Direção: Maria do Carmo Corrêa
Solistas: Helena Rodrigues - Luciano de Carvalho Chaves
Integrantes: Conceição Perroni - Bárbara Vasconcelos - Maria do Carmo Corrêa
"PIANO DE CUIA" Raimundo Sodré -  Violão
Baiafro
Tema Instrumental
Djalma Corrêa


Samba de Roda na Capoeira
(Folclore Baiano, adaptação para coral de Fernando Cerqueira)
Interpretação: Djalma Corrêa/Baiafro e Coral da Juventude
Solista: Paulo Gondim

Bahia, minha Bahia
Capital do Salvador
Quem não conhece a capoeira
Não é bom conhecedor
Quem quiser pode aprender
Todo homem tem valor
Foi no sangue da Bahia 
Que meu coração mamou
Camaradinho
Salve a Bahia
(Iê, salve a Bahia, camará)
Rio de Janeiro
Morro de São Paulo
Volta do mundo
O que o mundo deu
O que o mundo dá
Vamos jogar
Capoeira
Viva meu mestre

Ai, ai, Aidê
Joga bonito que eu quero ver
Ai, ai, Aidê
Joga bonito que eu quero aprender
Oi pega esse nego
(Esse nego é o cão)
Derruba esse nego
Esse nego é o cão

...

'Tava na roda do samba
Quando a polícia chegou
Vamo' acabar com esse samba
Que o delegado mandou
Cai, cai
Por cima de mim
Cai, cai

Iê galo cantou
(Iê, galo cantou, camará)
Cocorocô
É hora, é hora
Vamos embora
Pelo mundo afora
Salve a Bahia
Iê, salve a Bahia, camará



Djalma Corrêa, contracapa do LP Baiafro, 1978



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