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29 de dezembro de 2008

2010 a 2019


**2010**
Janeiro



Carnaval 2010: de olho no poder das mídias informativas e no afã de também concorrer entre as poduções musicais mais cotadas (e mais tocadas) durante o carnaval, os artistas baianos iniciam o ano lançando seus "hits" através do site de jornal local, na sua versão digital.
É o caso de Luiz Caldas, Carlinhos Brown, Jammil e uma Noites e até Moraes Moreira, recém-chegado de volta ao circuito carnavalesco de Salvador. O jornal A Tarde, inclusive, inova, publicando um Blog exclusivamente voltado à cobertura dos eventos musicais do carnaval, com espaço para os sempre bem-vindos comentários dos internautas, com o que o informativo consegue audiência e os artistas também. É interessante observar que o espaço assim constituído sofre os mais diversos "bombardeios", quando se trata de criticar aquele/aquilo que não é do agrado do leitor, nem sempre primando na sua expressão pela ética ou pelo respeito aos direitos de cada um.

Chame Gente - Blog de Carnaval do Grupo A TARDE
[http://carnaval.atarde.com.br/
]





1 - Luiz Caldas - Homenagem a Neguinho do Samba
2 - Carlinhos Brown - Parente do Avião
3 - Jammil e Uma Noites - Bloco do Prazer
4 - Moraes Moreira - Aquele Carnaval


Agosto, 01 

 Morre em São Paulo  o músico, radialista, apresentador de programas de televisão, e homem de propaganda, Jorge Santos, criador da Estúdios JS, primeira gravadora baiana.
Entre diversas iniciativas pioneiras, a JS promoveu, em parceria com a TV Itapoã, em Salvador, o I Festival do Samba na Bahia e, no início dos anos 1970, o I Festival de Música de Carnaval da Bahia.

 

1980 a 1989


**1980**

Hélio Oiticica (1937) morre no Rio de Janeiro.
O pintor e escultor foi um dos primeiros artistas brasileiros a aderir ao
concretismo, depois tornado neoconcretista. Na década de 60, criou os parangolés, espécie de estandartes associados à música e à dança.
Sua obra Tropicália (1967) inspirou o movimento musical de mesmo nome.


Alcyvando Luz: primeiro LP pela Fundação Cultural do Estado da Bahia: Fala Moço.
Fala Moço - LP SOL-001
Alcyvando em seu estúdio

Armandinho e o Trio Elétrico Dodô & Osmar: LP Viva Dodô & Osmar, com a participação de Moraes Moreira.

LP Viva Dodô & Osmar - Copacabana 1-01-404-210
Armandinho e Ary Dias cedidos pela WEA, Moraes Moreira pela Som Livre.

Fusão de experiências sonoras, trazidas por Armandinho e Ary Dias (A Cor do Som), Aroldo Macedo e Moraes Moreira, esse é considerado um dos melhores discos gravados pelo grupo.

Texto de Osmar na contracapa:
"MANIFESTO
Eu não sou contra a música importada. Desde que tenha qualidade, pode ser cantada e dançada em nosso país. Porém, vamos guardar as devidas proporções, porque temos imenso manancial de bons músicos e compositores e o prestígio maior deve ser para os nossos por uma simples questão de bom gosto e acima de tudo por uma questão de brasilidade.
No lançamento deste nosso 6º LP, comemoro 45 anos de música e 30 de Trio Elétrico com Manifesta*. É o meu manifesto em compasso de festa. Sem a pretensão de compor uma obra-prima, quis registrar o meu protesto pela invasão das importadas.
OSMAR
P.S.: Meus filhos e sobrinhos, cada vez mais orgulhoso de vocês. Obrigado Moraes Moreira pelo seu brilho. Obrigado Carvalho pelo seu reconhecimento.

* A composição Manifesta de Osmar, obteve o 1º lugar no Concurso de Músicas para Carnaval, promovido pela Prefeitura Municipal de Salvador."


FAIXAS:
LADO A
1. Viva Dodô e Osmar (Moraes/Zé Américo)
2. Eu Sou o Carnaval (Moraes/Rizério)
3. Beleza Pura (Caetano Veloso)
4. Dança do Tempo (Armandinho)
5. Vida e Carnaval (Moraes/Aroldo)
6. Alegria Desafia Violência (Taiane) (Osmar/Moraes)
LADO B
1. Bloco do Prazer (Fausto Nilo/Moraes)
2. Manifesta (Osmar)
3. Carnaval em Salvador (Armandinho/Moraes)
4. Guita Freva (Aroldo)
5. Pout-Pourri:
Colombina (Armando Sá/Miguel Brito)
Espinita (Nico Jimenez)
El Cumbanchero (Rafael Hernandez)
Data da Gravação: Novembro/1979
Estúdio: Transamérica/RJ (16 canais)
Arranjos e Regência: Armandinho


Na onda do sucesso dos Trios Elétricos, a gravadora Continental lança uma compilação instrumental, à revelia dos artistas. Esse LP, portanto, não faz parte da discografia oficial do Trio Elétrico Dodô & Osmar.
LP Trio Elétrico Instrumental - Continental 1.07.405.191
(Clique para ampliar)
FAIXAS:
LADO A
01 - Saudação (Armandinho)
02 - Frevo do Trio Elétrico (Dodô/Osmar)
03 - Frevo Dobrado (Aroldo Macedo)
04 - Um Pedacinho de Tudo (Aroldo)
05 - Saia do Caminho (Jacob Bittencourt)
06 - É a Massa (Armandinho)
LADO B
01 - Cornetas do além (Armandinho)
02 - Taiane (Osmar)
03 - Festa da Rua (Aroldo/Armandinho/Mu/Dadi)
04 - Com mil Demônios (Armandinho)
05 - A Lira e a Jandira (Morais/Aroldo)
06 - Alegre é o Porto (Morais/Aroldo/Armandinho)
    Cerca de 40 blocos desfilam com trios particulares, no carnaval de Salvador.

 Dodô & Osmar:  LP Trio Elétrico Instrumental







LP Ave Caetano, do Trio Elétrico Tapajós

A canção Oxumalá, composta por Luiz Caldas para o LP Ave Caetano, do Trio Elétrico Tapajós, pode ser considerada um dos  marcos iniciais do gênero posteriormente batizado de Axé-Music. Neste mesmo álbum, Luiz Caldas registra a sua composição Tapafrevo.

Oxumalá
Composição: Luiz Caldas
Interpretação: Luiz Caldas e Trio Elétrico Tapajós


Transcrição do texto de Caetano Veloso na contracapa do LP Tapajós - Ave Caetano (LP 9020):
"O primeiro disco de trio elétrico que se fez no Brasil foi um disco do TAPAJÓS e eu tive a honra de, então, escrever a contracapa. Agora, mais de dez anos depois, estamos aqui outra vez. Seria talvez melhor dizer: estamos aqui ainda. Uma das maiores emoções da minha vida foi, em 72, voltando do exílio em Londres, ver a CAETANAVE surgir no topo da Ladeira da Montanha e entrar na Praça Castro Alves sob a forte chuva que começava, tocando meu frevo Chuva, Suor e Cerveja. Eu não sabia que o carro deles naquele ano levaria esse nome e, se já estava chorando quando o caminhão entrou na praça, dobrei o choro quando li a nova palavra escrita na proa da transcendental embarcação. A essa altura da minha vida eu já tinha muito o que agradecer ao TAPAJÓS e aos trios elétricos em geral. A partir daquele momento de imenso carinho minha dívida se multiplicou por mil. Eles me ajudaram a curtir a adolescência, a bolar o Tropicalismo (que abriu espaço pra Milton casar barroco mineiro com Edu Lobo e Beatles; para a gente ouvir sem susto a transa de Egberto; pra Hermeto misturar jazz com rock e xaxado; pra mil coisas) e depois, a explicar o Tropicalismo e justificá-lo. E, naquele carnaval de 72, me davam a compensação afetiva para a prisão e o exílio. É muito.
Da época em que o primeiro disco do trio foi gravado pra cá,m muita coisa rolou. Este disco é muito mais bem gravado do que o outro, do que os outros. Sobre a beleza única desse som de trio elétrico não posso dizer nada. Apenas quero registrar que é lindo que o TAPAJÓS não tenha ficado indiferente à volta de Dodô e Osmar com as inovações de Armandinho e muito menos às conquistas geniais de Moraes Moreira que entre outras coisas, casou o trio elétrico com com o afoxé (meu sonho com o de Gilberto Gil). E chega de muitas palavras, eu fico baiano de mais quando se trata desse assunto de trio elétrico. Vamos ouvir o TAPAJÓS e continuar agradecendo a generosidade. Ave TAPAJÓS."

Malê Debalê, bloco afro de Itapuã, se apresenta pela primeira vez no carnaval.

Bob Marley vem ao Brasil a convite da gravadora alemã Ariola.
 
Maio

Gilberto Gil e Jimmy Cliff em São Paulo
(Foto: Mário Luiz Thompson)
Antológico show de Gilberto Gil e Jimmy Cliff, que se apresentam juntos num espetáculo levado em ginásios e estádios de cinco capitais brasileiras; os dois gravam também um programa especial para a TV Globo.


Cerca de 50 mil pessoas se reuniram para assistir no Estádio da Fonte Nova, em Salvador, a uma das cinco apresentações de Gilberto Gil e Jimmy Cliff no Brasil.
Jimmy Cliff no bairro de Alagados, em Salvador, Bahia.
(Clique para ampliar)


Gilberto Gil e Jimmy Cliff no aeroporto de Salvador,
paramentados com as roupas coloridas do Ilê Aiyê.
Foto: acervo jornal A Tarde

Março, 08
Fundação do bloco afro Ara Ketu.

Julho
Walter Smetak grava o disco Interregno - Walter Smetak e Conjunto de Microtons, patrocínio da Fundação Cultural do Estado da Bahia.
Gravado em novembro de 1979, no estúdio da EMAC/UFBa.
e mixado nos estúdios WR, com direção de produção de Carlos Pita.
Músicos: Walter Smetak, Thomaz Gruetz, Baltazar Schawabe, Hans Ludwig,
Samuel da Motta, Elcio Sá, Antonio Sarquis, Tuzé de Abreu.

Interregno, segundo e último registro de Walter Smetak: a obra e o homem. 
FCEBa/Marcus Pereira, 1002


(clique nas imagens para ampliar)
Registros fotográficos dos músicos e dos instrumentos incluídos na gravação

Texto de Smetak, na contracapa de Interregno:

O LP com o nome de "INTERREGNO" é uma raridade, pois será o último desta série de experiências. Esta pesquisa levou à uma quase infinita variedade da diversidade que não acaba mais: procuremos então os binóculos, para acharmos o caminho de volta. Trabalhamos durante 5 anos os violões microtonizados, com certo êxito. Os instrumentos criados por mim foram quase abandonados, porque a preocupação de achar soluções dominava. Os violões microtonizados pareciam oferecer um campo ideal para abrir o painel sonoro. Mas o que faltava neles era a continuidade da sonoridade. A constante repetição de uma nota, para sustentar um som longo, nos obrigou a procurar outros recursos, acústicamente distantes da sonoridade do violão. Foi adquirido um órgão eletrônico. Este por sua vez, equipado de grandes recursos, começou a predominar, o que tornou os violões simples acompanhadores. Aprendeu-se, muito mais tarde, à usar o órgão para aquilo ao que ele foi destinado: produzir sons longos. Desta maneira foi gravado o disco. A ausência da voz humana fez-se sentir, não se achou uma cantora adaptada ao tipo de música improvisada que pretendíamos fazer. Assim, buscamos o velho instrumental, que já estava afastado, e para surpresa de todos, houve uma súplica favorável. Gravamos também solis de violoncelo e órgão, que não constam neste disco, devido as restrições da mixagem, e ao tempo disponível. Foi necessário fazer tudo à jato. Até o tempo improvisou-se! Nas gravações, não constando neste disco, foi alcançado um outro plano. E como dissemos no início: o disco é uma raridade tal como ele está, cheio de possibilidades, de um futuro que ninguém pode saber como poderia ser. Mas para não vitimar mais gente, preferimos parar por aí. O vaso arrebentou-se em cacos. Tomem cuidado para não ferir o ouvido.
WALTER SMETAK

[Agradecimentos ao blog Abracadabra-LPs do Brasil] 
 
Setembro

Raimundo Sodré classifica-se em terceiro lugar no Festival da Nova MPB da Rede Globo, com A Massa, um misto de chula e baião, com solo rasgado de viola e aproveitamento de sambas de roda tradicionais do recôncavo baiano - composição de Raimundo P. Sodré e Antonio Jorge Portugal.
Em seguida, lança o LP A Massa (PolyGram) e ganha o disco de ouro pela vendagem superior a 100 mil cópias.
(Tal sucesso, infelizmente, o músico não voltaria a desfrutar nos trabalhos seguintes, em virtude de uma espécie de boicote inexplicável ao seu trabalho).


Jorge Alfredo e Chico Evangelista lançam o LP Bahia Jamaica.
LP Bahia Jamaica - Copacabana

A composição Reggae da Independência foi apresentada pela dupla no Festival 79 de Música Popular, entre novembro e dezembro (Rede Tupi de Televisão - SP). Rasta Pé, outra faixa do álbum, concorreu no MPB 80 - Setembro de 1980 (Rede Globo / ABPD - RJ)
 
Reggae da Independência
Composição: Jorge Alfredo/Chico Evangelista/Antônio Risério
Interpretação: Jorge Alfredo & Chico Evangelista


Nossa Senhora da Ladeira da Independência, rogai por nós.
Que aqui é jogo duro (falado)

Menino
É Dois de Julho
Cadê
A família do barulho
Prá festejar
Chame dona Dadá
Lá no Matatu
Na Mata Escura
Chame-Chame dona Zilá
Menino
É jogo duro
Cadê
Todo mundo Pirajá
Jêje-Malê
Ogum
Nagô-Ijexá

Ladeira da Independência, Matatu, Mata Escura, Chame-Chame e Pirajá são bairros de Salvador, Bahia. Jêje-Malê, Ogum, Nagô-Ijexá são referências à cultura religiosa afro-brasileira em sua pluralidade.
Dois de Julho é a data da Independência da Bahia, fechando o jogo de palavras, com o toque genial de
Antônio Risério).


Trio Elétrico Dodô & Osmar: LP Vassourinha Elétrica é terceiro LP do grupo num mesmo ano, contando com o lançamento não-oficial do disco Trio Elétrico Instrumental (Continental).


Vassourinha Elétrica - Elektra/WEA BR 82001


Texto de Osmar Macedo na contracapa:
"HOMENAGEM A WALDIR AZEVEDO
Minha formação musical, deve muito a este músico excepcional.
Na década de 40, quando formei a 'Dupla Elétrica', as jóias que ele compunha, faziam parte do repertório em todas as exibições de 'chorinho'. Com a criação do 'Trio Elétrico', tive de adaptá-las ao ritmo 'trieletrizado' e durante as décadas seguintes toda a Bahia pulava com Frevo da Lira, Brasileirinho e outras notáveis composições que marcaram época no carnaval baiano.
Este ano, Waldir iria compôr um frevo especialmente para este LP. A morte cometeu uma ignomínia. Mesmo assim, apanhei-te Waldir. Você não poderia ficar ausente do LP 81 do Trio Elétrico.
Osmar."
FAIXAS:
1 - Caetano, Caetano [Pot-pourri]:
- Atrás do Trio Elétrico (Caetano Veloso)

- Sem Grilos (Caetano Veloso/Moacyr Albuquerque)
- Um Frevo Novo (Caetano Veloso)
- Chuva, Suor e Cerveja (Caetano Veloso)
- A Filha da Chiquita Bacana (Caetano Veloso)
2 - Vassourinha Elétrica (Moraes Moreira)
3 - Zanzibar [As cores] (Fausto Nilo/Armandinho)
4 - Charriot (Aroldo)
5 - Marcha da Tietagem (Gilberto Gil)
6 - Mensageiro do Amor (Zé Américo/Armandinho)
7 - Cantor do Trio (Aroldo/Moraes Moreira)
8 - Apanhei-te Waldir [Pot-pourri]:
- Delicado (Waldir Azevedo)
- Arrasta-pé (Waldir Azevedo)
- Camundongo (Waldir Azevedo/Risadinha do Pandeiro)
- Brasileirinho (Waldir Azevedo)
9 - Frevo Dobrado nº 5 (Aroldo/Moraes Moreira)
10 - Frevoxé (Aroldo, Walter Queiroz/Betinho)
11 - Passo Double Carnaval (Solon Melo/Osmar)
12 - Saudação (Armandinho)
Músicos: Osmar, Aroldo, Armandinho, André e Betinho Macedo, Ary Dias.
Dezembro, 08
John Lennon é morto a tiros, em Nova York, por Mark Chapman, um fã desequilibrado mental. Algumas horas antes, Lennon havia autografado o seu último álbum (Double Fantasy) para Chapman.
**1981**
Mestre Pastinha (1889/1981) capoeirista, poeta popular, morre em Salvador. Fundador, junto com Mestre Amorzinho, de uma das mais importantes academias de capoeira de Salvador.
Estréia do Ara Ketu, ainda sem a banda, e com instrumentos de percussão acústicos (ala de percussionistas e cantores. Tema da estréia: O Princípio do Princípio, a Criação do Mundo conforme a Tradição Nagô. O bloco sagra-se campeão no carnaval desse ano.
O Olodum exalta a história de Guiné-Bissau, país africano - a estrela da revolução nos anos 70 e 80, liderado por Amilcal Cabral.
Ano em que o Olodum teve o maior número de associados: mais de duas mil pessoas, desfilando com o enredo Nigéria.


Racha divide o Olodum, surgindo o bloco afro Muzenza (também chamado Muzenza do Reggae), fundado na Liberdade por uma parte dos associados. (Geraldão, Mundão, Barabadá).
 
Muzenza é palavra de raiz bantu, inspirada nos candomblés de Angola. Entretanto, suas referências se voltam para a Jamaica - Bob Marley como símbolo maior. O Muzenza se tornaria um bloco "nômade", peregrinando por diversos territórios (Ribeira, Massaranduba, Largo do Tanque e novamente Liberdade).

Gilberto Gil: LP Gilberto Gil em Montreaux – Montreaux Festival (WEA Discos). ChuckBerry Fields Forever.
Gilberto Gil: LP Luar (WEA Discos). A Gente Precisa Ver o Luar, dedicado à memória de John Lennon.
Maio, 11
Bob Marley (Robert Nesta Marley) morre em Miami, aos 36 anos de idade.
Agosto, 22
Glauber Rocha morre, no Rio de Janeiro, aos 42 anos de idade.

Trio Elétrico Dodô & Osmar: LP Incendiou o Brasil

Incendiou o Brasil Elektra/WEA (Warner) BR 82.007
Versão produzida pela FUNARTE:



 Detalhe da foto do grupo na contracapa, destacando Osmar Macedo com o pau-elétrico

Trio Elétrico Tapajós lança o LP Jubileu de Prata, apresentando a canção Axé Pra Lua, sucesso na voz de Luiz Caldas.

 Trio Elétrico Tapajós - LP Jubileu de Prata




 
**1982**
Ampliação e sofisticação tecnológica do estúdio de Wesley Rangel (WR) possibilita impulso inédito ao desenvolvimento da música baiana.

Banda Rumbaiana - criada por Klaus Jaeke, saxofonista alemão e Dini Zambelli, músico italiano, divulga os ritmos caribenhos.

Junho, 06
Nelson Maleiro morre em Salvador.
Trio Elétrico Tapajós: LP Cristal Liso


LP Cristal Liso - Baccarola/1982
FAIXAS:
Lado A
1. Alabé - Luiz Caldas
2. Acordes Verdes - Luiz Caldas
3. Como um Colibri - Luiz Caldas/Gerson Alves
4. Trio Eletricolorindo - Luiz Caldas/Paulinho Caldas
5. A Noite é um Lírio - Jorge Taime
Lado B
1. Pauta dos Carnavais - Paulo de Inhambupe
2. De onde Vem o Baião - Gilberto Gil
3. O Sanmo - Luiz Caldas
4. A Marcha Mansa - Paulo Brasil/Luiz Brasil
5. Cristal Liso - Luiz Caldas/Jota Morbeck

Músicos:
Luiz Caldas - guitarra baiana, ovation, piano, moog, baixo, korg, guitarra, percussão
Toinho Bip-Bop - baixo
Mô Brasil - guitarra, guitarra baiana
João Batera - bateria, percussão
Eduardo / Than / Zé Carlos - percussão
Zé Henrique - moog
Paulinho Caldas / Silvinha Torres - voz / vocal
Dedicatória de Luiz Caldas ao músico Renatinho:

"De todos os trabalhos que fiz este foi o mais pesado, cansativo, principalmente o mais apressado. Felizmente ele preencheu o vazio das minhas lutas e me fez nunca esquecer um músico em especial, não só por tocar bem, mas por ser um dos grandes músicos do Brasil e uma das belas almas do mundo."

Texto de Waldemar Sandes Novais:
“Neste LP, pouco falaremos do Trio Elétrico Tapajós. Falaremos mais de seu criador, Orlando Campos de Souza. Poucos baianos e brasileiros sabem o quanto ele representa para a Bahia, seu carnaval e seus trios elétricos. Foi Orlando quem, por muitos anos, com o afastamento dos geniais inventores do Trio Elétrico, Dodô e Osmar, segurou a barra do carnaval baiano. Foi ele quem dinamizou e deu suporte para que o invento de Dodô e Osmar não desaparecesse. É Orlando, que há mais de duas décadas divulga a Bahia por todo o Brasil, com seu Trio Elétrico, distribuindo patuás, fitinhas do Bonfim, berimbaus e outras “manias” da tradição baiana, nunca recebeu nada da Bahia, para essa divulgação.
Foi o seu trio o primeiro a gravar um disco. Foi Orlando quem levou o Trio Elétrico a participar de um Festival Internacional da Canção. A maioria dos trios elétricos hoje existentes na Bahia e no Brasil, foram por ele construídos. De sua garagem saíram trios famosos como: “Traz os Montes”, “Amigos da Vovó”, “Novos Baianos”, “Bahia”, “Marajós”, e tantos outros. A maioria dos mais famosos músicos do trio elétrico baiano foram por ele revelados. Foi Orlando o criador da Transcendental Caetanave, numa homenagem a Caetano; este foi um dos mais bonitos ou o mais bonito dos trios elétricos já feitos na Bahia. Foi Orlando, com seu dinamismo, sua energia e seu Trio Elétrico que ganhou todos os concursos existentes, na Bahia. Foi ele quem, em pleno carnaval, colocou, em cima de seu trio, os inventores Osmar e Dodô e perante o povo, pediu para que eles voltassem, pois estavam afastados há aproximadamente 10 anos do carnaval baiano. É Orlando que, há 26 anos em cima do seu Trio Elétrico derrama alegria, com sua energia, seus jeitos, trejeitos e gestos, contagiando a todos e alucinando corações. Como se vê, toda sua juventude foi dedicada ao Trio Elétrico da Bahia e, ao contrário do que muitos pensam, o que Orlando tem na vida é sua família e seu Tapajós, nem uma casa própria conseguiu até hoje. Tudo o que ganha é para investir no seu Trio. É por tudo isso, que achamos que Orlando é uma bandeira do carnaval baiano. Colocando-se ao lado dos geniais criadores do trio. No nosso entender, ele deu dinamismo ao trio e o profissionalizou, oferecendo hoje o melhor mercado de trabalho para o músico baiano. É por tudo isso, Orlando, que dedicamos a você, este LP, pois foi esta sua energia contagiante que nos inspirou a produzir este trabalho, para a alegria dos foliões baianos e brasileiros. Esta é uma homenagem que a Bahia lhe deve e que nós haveremos de cobrar, pois você é, em pessoa, o próprio carnaval baiano.
Waldemar Sandes Novais”


[Agradecimentos ao Dilson Filho, e à comunidade Trio Elétrico Tapajós no Orkut]


**1983**
Aparece o CD (Compact Disc) nos EUA.
Surgem os telefones celulares: A Motorola obtém autorização para implantar o primeiro sistema de telefone celular nos EUA.
Raimundo Sodré participa do Festival de Música Francesa em Paris - o primeiro artista brasileiro a ser convidado para o evento. Contraditoriamente, seu terceiro LP, Beijo Moreno (PolyGram, 1983), do mesmo modo que o segundo, não tem bons resultados comerciais no Brasil, apesar de serem excelentes trabalhos musicais. Isso o estimularia a radicar-se na Europa.

Olodum, em crise, tem que ser reestruturado: início dos projetos culturais.

Olodum sofre esvaziamento substancial e fica sem desfilar.
A seguir, alguns dissidentes do Ilê Aiyê, como João Jorge e Neguinho do Samba promovem uma reestruturação do bloco, incluindo aí uma transfiguração musical do som básico da bateria, que tocava então o mesmo estilo de samba-duro praticado pelo Ilê Aiyê.


Neguinho do Samba - um dos primeiros mestres de bateria do Ilê Aiyê - deixa o bloco e vai integrar o Olodum, onde passa a desenvolver um novo trabalho, recriando os instrumentos de percussão, introduzindo os timbales (instrumentos característicos da música caribenha) em substituição ao apito, transformando o mestre de bateria num líder-solista.
Trajetória de Neguinho do Samba:
Os Lordes
Ritmistas do Samba
Diplomatas de Amaralina
Apaches do Tororó
Caciques
Comanches
Corujas
Internacionais
Ilê Aiyê (11 anos como compositor e mestre de bateria)
Neguinho do Samba
Foto: Antonio Queiroz (Correio da Bahia, maio/2005)
Luiz Caldas, à frente da banda Acordes Verdes, traz Carlinhos Brown e
Tony Mola
(Bragadá) como percussionistas.


Sertania, de Ernst Widmer

Gilberto Gil: LP Extra (WEA Discos).

Fevereiro

Ernst Widmer registra a obra Sertania - Sinfonia do Sertão, em colaboração com Elomar Figueira de Mello e Chico Liberato.




Encarte do LP Sertania (Clique para ampliar)

Cantiga do Boi Incantado
Composição: Elomar
Interpretação: Elomar



Ê Ê Ê Ê Ê Ê ... boi incantado e aruá
Ê boi quem havera de pegá
Na mia vida de vaquêro vagabundo
já nem dô conta dos pirigo qui infrentei
apois aqui das nação de gado qui ai no mundo
num tem um só boi qui num peguei

Ê Ê Ê Ê Ê Ê ... boi incantado e aruá...

Eu vim de longe, bem pra lá daquela serra
qui fica adonde as vista num pode alcançar
ricumendado dos vaquêro de mia terra
pra nessas banda eles nóis representar
alas qui viemo in dois eu e mais Ventania
o mais famado dos cavalo do lugá
Meu sabaruno rei do largo e do grotão
vê si num isquece da premessa qui nóis feiz
naquela quadra de terra, laço e moirão
na luz da tarde os olhos dela e meu cantá
a mais bunita de brumado ao pancadão
juremo a ela viu ti pegá boi aruá

Ê Ê Ê Ê ... boi incantado e aruá...

De indubrasil nerol' xuite guadimá
moura junquêro pintado nuve e alvação
junquêro giz pé duro landrêis malabá
pintado laranjo rajado lubião
boi de gabarro banana môcho armado
de curralêro ao levantado barbatão

De todos boi qui ai no mundo já peguei
afóra lá ele qui tem parte cum cão
o tal boi bufa cum este nunca labutei
e o incantado qui distinemo a pegá
Pra nóis levá pras terra daquela donzela
juremo a ela viu te levá boi aruá (bis)

Ê Ê Ê Ê Ê Ê ... boi incantado e aruá...





Dezembro, 13

José Telles Velloso, pai de Caetano Veloso, morre aos 82 anos. A canção O Homem Velho (Velô, 1984), traz uma dedicatória: "À memória de meu pai e a Chico Buarque, que agora tem 40 anos, mas aos 20 fez uma canção belíssima sobre o tema." A canção a que Caetano se refere é: O Velho (Chico Buarque, 1968).

Armandinho e o Trio Elétrico Dodô & OsmarLP Folia Elétrica


LP Folia Elétrica - Som Livre 403.6268 - 1983
Texto extraído do encarte:
"Armandinho
Baiano e filho de Osmar - inventor do trio elétrico juntamente com Dodô -, desde criança Armandinho teve ligação com a música de carnaval e os trios elétricos. Destacou-se tocando guitarra e bandolim eletrificado, a "guitarra baiana". Nos anos 70 formou o grupo A Cor do Som, que inicialmente acompanhava Moraes Moreira e em seguida gravou cinco LPs sem o cantor. Excursionou pela Europa e Estados Unidos com o grupo O Trio Elétrico, alternando discos solo e com o Trio. É um dos maiores representantes e divulgadores da música de trio elétrico. Ao mesmo tempo, é um dos nomes da renovação do choro, e gravou discos ao lado de Raphael Rabello e do Época de Ouro.
Trio Elétrico Dodô e Osmar
Inventores do trio elétrico do carnaval baiano, Dodô (Adolfo Nascimento) e Osmar Macedo conheceram-se em um programa de rádio em 1938. Os dois estudavam música e eletrônica e pesquisavam uma forma de amplificar o som dos instrumentos de corda. A amplificação aconteceu dez anos depois, e no carnaval de 1950 a dupla saiu em cima de um Ford 49 tocando em instrumentos adaptados as músicas da Academia de Frevo do Recife, que se apresentava na ocasião em Salvador. Em um ano fizeram aperfeiçoamentos e incluíram mais um membro, Temístocles Aragão, formando assim o trio elétrico em 1951. No ano seguinte uma empresa de refrigerantes percebeu o enorme sucesso do trio e colocou um caminhão decorado à disposição dos músicos, inaugurando o formato consagrado por todos os carnavais até hoje."
Osmar Macedo, tocando a guitarra havaiana
Arranjos: Armandinho Macedo - Trio Elétrico de Dodô e Osmar
Produtor: Guto Graça Mello/Marcelo Falcão


Músicos:
Armandinho Macedo, Osmar Macedo, André Macedo, Betinho Macedo, Ary Dias, Jorginho Gomes, Levi Pereira, Otávio Requião, Jorginho Gomes, Sivuca, Luiz Brasil, Pascázio da Vida.
[Agradecimentos ao Blog Abracadabra-LPS do Brasil 2]

 

Luiz Caldas grava seu primeiro disco solo, o compacto com a música tema do bloco Beijo (Beijo - Luiz Caldas/João Batera), na época da sua passagem pelo bloco, tocando com a banda Acordes Verdes. A outra faixa é a homenagem ao jogador Osni, do E.C. Bahia, a música Como um Raio.

Luis Caldas - Compacto simples pela WR
Foto-montagem: Pedrinho da Rocha (clique para ampliar)
Formação da Banda Acordes Verdes:
Luiz Caldas - Guitarra Baiana, Guitarra e Voz
Cezinha - Bateria
Carlinhos Marques - Contrabaixo
Alfredo Moutra - Teclados
Tony Mola - Percussão
Paulinho Caldas e  Silvinha Torres - Voz e vocal
Gravação e Mixagem: Nestor Madrid / Fernando Grundlach
Produção: Wesley Rangel
Capa: Pedro Rocha
**1984**
A Philips e a Sony lançam o CD-ROM (Ready-Only Memory).
Poema inédito de Torquato Neto é musicado por Sérgio Brito, dos Titãs. ("Só quero saber do que pode dar certo...")
Gilberto Gil: LP Raça Humana (WEA Discos)
Janeiro, 10
Mercado Modêlo, em Salvador, Bahia, é destruído por um incêndio.
Fevereiro, 27
Adroaldo Ribeiro Costa (1917) morre em Salvador.
O professor Adroaldo é autor do Hino do Esporte Clube Bahia, Hino da Olimpíada Baiana da Primavera, e fundador do programa radiofônico Hora da Criança,
junto com o maestro Agenor Gomes.
Hino das Olimpíadas Baianas da Primavera
Autor: Adroaldo Ribeiro Costa
Interpretação: Coro e Banda da polícia Militar


Canta a primavera em nossas vozes juvenís

Circula a primavera em nossas veias juvenís
Nossa alegria é a primavera da Bahia

Lutar com lealdade

Em busca da vitória
Saber perder com glória
Sorrir na adversidade
Ser forte pelo esporte
E viver com alegria
Eis o ideal da juventude da Bahia
 

Fevereiro, 28
Sivan Castelo Neto - Codinome de Ulisses Lelot Filho (27/5/1904-SP- 28/2/1984-RJ) morre no Rio de Janeiro.
"...Artista de muitas faces, um ícone da Melodia, da Letra, do Piano, do Rádio, do Disco e do Jingle. A história da Comunicação falada e cantada do Brasil, principalmente na propaganda sonora - e a história do Rádio de São Paulo passam por ele...Como melodista, assinava "Sivan", e como letrista usava os pseudônimos de "Castello Neto", "Navis" (o inverso de Sivan) e Satulan. Foram encontradas partituras onde aparece como "Ramon Castelo" e "Tamoio"... "
Tema do Boneco de Palha
Composição: Vera Brasil / Sivan Castelo Neto (1961)


1. Tito Madi / Maurício Einhorn / Ari Piassarollo
2. Vera Brasil (filha e parceira do compositor)
 

Maio, 30
Walter Smetak morre em Salvador, de infecção hospitalar contraída durante a internação para cuidar de um enfisema pulmonar.
**1985**
Uma única fibra ótica passa a transmitir o equivalente a
300 mil
chamadas telefônicas simultâneas.

Luiz Caldas: LP Magia (1985), seu primeiro álbum, vende 120 mil cópias, antes mesmo de sair da Bahia. Com a música Fricote, abriu a porta para o samba-reggae do Olodum, o galope do Chiclete com Banana, o furacão Daniela Mercury e o samba malicioso do É o Tchan, etc.
LP Magia, de Luiz Caldas
Nova República/Polygram 826583-1 (1985)
A música Fricote, de Luiz Caldas e Paulinho Camafeu inaugura o fenômeno axé music.

Fricote
Composição: Paulinho Camafeu - Luiz Caldas
Interpretação: Luiz Caldas


Nêga do cabelo duro

Que não gosta de pentear
Quando passa na baixa do tubo
O negão começa a gritar

Olha a nêga do cabelo duro
Que não gosta de pentear
Quando passa na baixa do tubo
O negão começa a gritar

Pega ela aí
pega ela aí
Pra quê?
Pra passar batom
De que cor?
De violeta
Na boca e na bochecha

Pega ela aí

pega ela aí
Pra que?
Pra passar batom
De que cor?
De cor azul
Na boca e na porta do céu
 
A canção inspira a dança do deboche e provoca uma série de protestos por parte de entidades negras. Apesar de tudo, o disco vende mais de 100 mil cópias.


"Estouro" de Luís Caldas e de Sarajane.

Carlinhos Brown é convidado por Caetano Veloso para integrar sua Banda Nova. 

Novembro

LP Grito do Amor - Trio Elétrico Tapajós
Gravação do vinil Grito do Amor - 12º LP do Trio Elétrico Tapajós, nos Estúdios da W.R. (Salvador-Bahia)

Transcrição do texto de Orlando Tapajós na contracapa:

"Longos 3 anos sem gravar. Não dependeu da nossa vontade. O vínculo com uma gravadora e os problemas de saúde nos tiraram do ar. Ou melhor, dos toca-discos. O que nos deixou com um grito preso nas cordas vocais.
Finalmente, surge "O GRITO DO AMOR". Nosso novo LP. Gravado nos estúdios da WR em Salvador e produzido pela própria empresa TAPAJÓS.
A primeira gravação de "AXÉ PRA LUA", música famosa, foi o nosso último sucesso em disco. Aconteceu em 1982. Neste espaço, surgiram novos trios, novos valores e novos sucessos. A família TAPAJÓS deu uma trégua, mas jamais em silêncio. Tocamos o ano inteiro, durante todos esses anos. Continuamos a divulgar o som do trio elétrico por todo o Brasil. Ao vivo, via caminhão. A cores, quase com exclusividade.
Através deste LP, o nosso grito do amor, segue em forma de profundos agradecimentos e afetuosos abraços aos músicos que participaram diretamente ou indiretamente da gravação. Ao público brasileiro, folião de 0 a 10 anos de idade. Aos amigos em geral. E de forma a José e Djalma Muniz Falcão de Maceió (Alagoas). O querido Júlio Toledo e seu brilhante conjunto musical "IMPULSO" de Belo Horizonte (Minas Gerais). O batalhador Antero, da CMC (Salvador). Agradecimentos especiais também às cidades que não dispensam nossa presença em suas festas. E o nosso grito maior em louvor da imprensa escrita, falada e televisada, principal responsável pela ascenção dos artistas. Sim, graças a esse pessoal, estamos conquistando nosso lugar no cenário musical sem que seja preciso nosso artista abandonar a terra em que vive e buscar o seu espaço em centros já tão apertados. Muito obrigado a você disc-jóquei. Obrigado a você, ouvinte da boa música. Enfim, muito obrigado a todos.
ORLANDO CAMPOS DE SOUZA
Diretor-Presidente"


**1986**
A BMG incorpora ao seu grupo a lendária RCA, que tem como ícone o cachorro nipper e o gramofone. Fundada pelo americano Eldridge Johnson, a BMG (Berterisman Music Group) é uma das mais importantes majors (denominação dada às multinacionais do disco).
O Carnaval baiano de 86 projeta o bloco Ara Ketu, com a música Uma História de Ifá, de Ythamar Tropicália (que será gravada depois, por Margareth Menezes, tornando-se mais conhecida como Elegibô). Tatau, já é, então, o vocalista do Ara Ketu.
Luís Caldas sintetiza elementos de: salsa, rock, samba (deboche- fricote).
Surge o termo Axé-Music.
Luiz Caldas, LP Flor Cigana: "Ajá-iô, ajá-iô, ô,ô,ô, Axé Babá, Axé Babá, á,á,á")
Blocos afro mesclam samba-duro e reggae jamaicano, inventando o samba-reggae.

Eu Sou Negão: Fruto de uma improvisação desenvolvida por Gerônimo  durante um show organizado pelo mesmo com alguns músicos, entre eles o percussionista Tião e o baterista Ivan Huol, na barraca de Juvená em Itapuã, para os congressistas da convenção da RCA Victor, que acontecia em Salvador.
O improviso, uma crônica espontânea, abordando uma situação de rua, comum no carnaval baiano, um confronto entre elementos dos blocos afros e dos poderosos trios elétricos, torna-se um aríete, um divisor de águas da cultura musical baiana.
Aconteceu que nos dias seguintes, o radialista Baby Santiago, diretor artístico da rádio Itaparica FM, que havia gravado em fita cassete a performance de Gerônimo com 7 minutos de duração, executou com exclusividade essa fita na rádio, o que a fez passar, em questão de duas horas, do quinto para o segundo lugar na audiência local, criando uma situação inusitada, na qual os ouvintes ligavam e  manifestavam o desejo de ouvir a composição, enquanto os demais radialistas, surpresos, queriam obter cópia da gravação.
Essa música será registrada em disco por Gerônimo no ano seguinte (ver adiante, nesta cronologia, letra e áudio da composição.
Meados de 86:
O samba-reggae Faraó se espalha dos ensaios do Olodum, via "correio nagô".
Agosto, 13
Mãe Menininha do Gantois (Maria Escolástica da Conceição Nazaré – 1894), Ialorixá baiana, morre em Salvador.
Dirigente da casa de candomblé de ritual jêje-nagô, de nome Sociedade São Jorge do Gantois (Axé Iamacê), Mãe Menininha é considerada a mais importante Ialorixá de sua época, com marcante influência na vida social e política da Bahia, principalmente a partir dos anos 70.


Mãe Menininha sorri para Vinícius de Moraes, tendo
ao fundo Gessy Gesse e Monica Millet.
Foto: acervo pessoal de Gessy Gesse(Clique para ampliar)
Maria Bethânia e Mãe Menininha do Gantois: momento místico.
(Foto: Mãe Menininha do Gantois: uma biografia. Por Cida Nóbrega, Regina Echeverria)
Partitura e letra de Oração de Mãe Menininha, de Dorival Caymmi.


**1987**
São vendidos os primeiros produtos de realidade virtual.
World Music: Criação da denominação pelos selos independentes ingleses.
1987: o "divisor de águas" da música baiana.
Afro-baianidade toma corpo.
Cantores e compositores negros da Bahia começam a tomar as rédeas de seu trabalho.
Mídia jornalística batiza a nova música produzida na Bahia de Axé-Music.
Banda Reflexu's: 700 mil cópias vendidas.
Chiclete com Banana: recordes em todo o país.


Junho

Banda Reflexu's: seu primeiro álbum, Reflexu's da Mãe África, é gravado nos estúdios WR (Salvador).
EMI-Odeon 062 748544 1
Clique para ampliar 
Trabalho da capa: Egeu Laus

Madagascar Olodum
Composição: Rey Zulu
Interpretação: Banda Reflexu's
(Vocal: Marinês) 

Criaram-se vários reinados
O ponto de imerinas ficou consagrado
Rambozalama o vetor saudável
Ivato cidade sagrada
A rainha Ranavalona
Destaca-se na vida e na mocidade
Majestosa negra
Soberana da sociedade
Alienado pelos seus poderes
Rei Radama foi considerado
Um verdadeiro meiji
Que levava seu reino a bailar
Bantos, indonésios, árabes
Se integram à cultura malgaxe

Raça varonil, alastrando-se pelo Brasil
Sankara Vatholay
Faz deslumbrar toda nação
Merinas, povos, tradição
E os mazimbas foram vencidos pela invenção

Iê ê ê sakalavas onáê
Ia a a sakalavas onaa
Madagascar, ilha, ilha do amor

E viva pelo Pelourinho
Patrimônio da humanidade é
É Pelourinho, Pelourinho
Palco da vida e negras verdades
Protestos, manifestações
Faz o Olodum contra o Apartheid
Juntamente com Madagascar
Invocando
igualdade, liberdade a reinar

Iê ê ê sakalavas onáê
Ia a a sakalavas onaa
Madagascar, ilha, ilha do amor


Ayê ê ê Madagascar Olodum
 
Ayê eu sou o arco–íris de Madagascar
E eu disse ayê 
Ayê ê ê Madagascar Olodum
Ayê eu sou o arco–íris de Madagascar
Iê ê ê sakalavas onáê
Ia a a sakalavas onaa
Selos do LP do primeiro LP da Banda Reflexus


Ara Ketu e Olodum gravam seus primeiros elepês, nos estúdios WR em Salvador. Esse é um marco histórico, em que a sonoridade dos tambores, finalmente captada pelos microfones dos estúdios de gravação, inaugura uma nova era na acústica da música percussiva, abrindo espaço para sua posterior mixagem com os instrumentos elétricos, e dando vez ao timbre de voz dos cantores e compositores negros

O Olodum registra vendagem superior a 50 mil cópias do seu primeiro LP: Egito/Madagascar. Enredo do carnaval: Egito dos Faraós.
O "Boom" Faraó: Deuses, Cultura Egípcia, Olodum, de Luciano Gomes, mais conhecida como Faraó.
(FEMADUM - Festival de Música e Arte do Olodum)

Faraó Divindade do Egito (Egito Madagascar - 1987)
Composição: Luciano Gomes
Interpretação: Banda Olodum


Faraó
Clama Olodum pelourinho
Eh Faraó
Pirâmide a base do Egito
Eh Faraó

Deuses divindade infinita do universo
Predominante esquema mitologico
A ênfase do espírito original "Chu"
Formará no Eden o ovo cósmico
A emersão nem Osiris sabe como aconteceu

A ordem ou submissão do olho seu
Transformou-se na verdadeira humanidade
Epopéia do código de Cueb
Enut gerou as estrelas
Osiris proclamou matrimônio com Isis
E o mal Seth irado o assassinou em Per-AÁ
Hurus levando avante a vingança do pai
Derrotando o império do mal Seth
E o grito da vitória que nos satisfaz

Tutancamon eh Gizé
Akahenaton eh Gizé
Eh Faraó
Clama Olodum Pelourinho
Eh Faraó
Pirâmide a base do Egito
Eh Faraó

Pelourinho uma pequena comunidade
Que Olodum uniu
Em laços de confraternidade
Despertai-vos para a cultura egípcia no Brasil
Em vez de cabelos trançados
Veremos turbantes de Tutancamon
E as cabeças se enchem de liberdade
O povo negro pede igualdade
E deixemos de lado as seprações




Gerônimo: "Eu sou negão"

Continental - 1.35.903.001

Samba-reggae Macuxi Muita Onda (Eu Sou Negão), improviso magistral de Gerônimo, na grande virada da música afro pop baiana.

Macuxi Muita Onda (Eu Sou Negão)
Composição: Gerônimo

Interpretação: Gerônimo


Imanoá mirí

Roraima
Ê ikeí
Muita onda

E ai chegaram os negros
Com toda a sua beleza
Com toda a sua cultura
Com toda a sua tradição
E no bum bum bum
bum bum bum
No seu tambor
O seu negão vai tocando assim
Pega a rua Chile
Desce a ladeira
Tá na praça Castro Alves
Ou praça da Sé
Transando o rock
Funk, Samba-reggae e ri
Transando o corpo
A mente
Baby vem, kiss me
E na beirada da multidão
Em cima do caminhão
Ele fala:
Todo mundo vai dançar
Todo mundo vai mexer
Comandei o carnaxé:

Eu sou negão
Eu sou negão
Meu coração é a liberdade
É a liberdade
Sou do Curuzu ilê
Sou do Curuzu ilê
Igualdade na cor essa é a minha verdade
Igualdade na cor essa é a minha verdade

Eu sou negão
Eu sou negão
Meu coração é a liberdade
É a liberdade
Ê ikeí, ikeí
É macuxí muita onda

Consultar: post de Nelson Maca no Overmundo:
[http://www.overmundo.com.br/overblog/macuxi-muita-onda-eu-sou-negao]


Março
A música Faraó, do Olodum é gravada na voz de Betão e registrada mecanicamente por Felipe Cavalieri, sendo colocada para tocar nas rádios por Marcos Charope, e "explode" como sucesso musical.
**1988**
Roberto Carlos: primeiro artista brasileiro a gravar um CD.
Olodum lança o disco Núbia/Axum/Etiópia, e sai no carnaval com o enredo Madagascar. 

Janeiro, 20

Morre Carlos Coqueijo Torreão da Costa (05/01/1924 - 20/01/1988). Compositor, maestro, jurista, jornalista, poeta, letrista, homem de teatro, cronista e cantor. Nasceu em Salvador (BA) em família de músicos.

Abril, 20

Baby Santiago e a música afro de Salvador:
Matéria publicada na revista Isto É enfoca aspectos da cultura negra contemporânea em Salvador, colhendo depoimentos de músicos e personalidades do movimento negro. Nesta matéria, uma breve colocação do radialista Baby Santiago sobre a revolução musical que também ele estava ajudando a produzir na Bahia:


Baby Santiago: a segunda invasão baiana
[...]"Depois de Caetano, Gal, Maria Bethânia e Gil, vamos assistir à segunda invasão da música baiana ao resto do país", profetiza Baby Santiago, 41, coordenador da Rádio Itaparica FM, de Salvador, a terceira colocada em audiência na cidade. A Itaparica dedica 60% de sua programação às músicas afros produzidas pelos diversos blocos e conjuntos de Salvador, uma carga horária que é comum às demais emissoras. Mesmo se a música negra cresce nas simpatias e a questão da igualdade de direitos começa subliminarmente a entrar nas cabeças, Salvador ainda abriga suas idiosincrasias[...]
Isto É
20/04/1988
Agosto, 17
Possível Resposta - uma proposta inclusiva Widmer.
Ernst Widmer conduz, no Teatro Castro Alves, a execução de sua peça-síntese Possível Resposta (a partir da composição A Pergunta não Respondida, do americano Charles Ives).
O evento constou de um encontro/concerto da Orquestra Sinfônica da Bahia com o Afoxé Filhos de Gandhy, dentro da proposta de inclusividade ("ao invés de isto ou aquilo, isto e aquilo", nas palavras do próprio maestro) e do ecletismo anárquico que caracterizava a produção do Grupo de Compositores da Bahia.

Widmer e o encontro/concerto com o Afoxé Filhos de Gandhy
Novembro
Margareth Menezes assina contrato com a Polygram do Brasil e lança seu primeiro disco: Margareth Menezes
Margareth Menezes, primeiro registro em disco - Polydor 837.459-1
(Clique para ampliar)


Uma História de Ifá (Elegibô)

Composição: Ythamar Tropicália/Rey Zulu (1988)

Interpretação: Margareth Menezes


Ele, ele, Elegibô, ô, ô, ô

Elegibô, ô, ô, ô
Elegibô, ô, ô, ô
Cidade reluzente (Elegibô)
Cidade florescente (Elegibô)
Ejibô, cidade encantada
Elegibô, sua majestade real
Ara Ketu, ritual do candomblé
Exalta as cidades de Ketu e Sabé
Ferido, vingou-se o homem
Utilizando seus poderes
Passaram-se anos difíceis
Sofreram muitos seres
Os vassalos ficaram sem pasto
A flora e a fauna não brotavam mais
Suas mulheres ficaram estéreis
A flor do seu sexo não se abrirá jamais
Ele, Ele
Ele, Ele, Elegibô
Elegibo, Elegibo Ele, Ele
Ele, Ele, Elegibô
Elegibo, Elegibô

Cidade florescente (Elegibô)

Cidade reluzente (Elegibô)

Os guerreiros lutavam entre si

Com golpes de vara, era o ritual
Durante várias horas
Travou-se a batalha entre o bem e o mal
Depois retornaram com o rei
Para a floresta sagrada
Onde comeram a massa
De inhame bem passada
Onde será comida por todos os seus
Negros homens em comunhão com Deus
Ele, Ele


[Agradecimentos ao Cláudio Marinho e ao Blog Poeira&Cantos]


 

**1989**
Olodum lança o 3º disco: Olodum 10 Anos - Do Deserto do Saara ao Nordeste Brasileiro. Enredo do carnaval: Núbia/Axum/Etiópia.
Formação da Timbalada, por Carlinhos Brown.
Gravação do LP Afros e Afoxés, por Edil Pacheco e convidados (PolyGram).

Maio, 23

Begue
Lindembergue Cardoso (Lindembergue Rocha Cardoso - Livramento, 30/6/1939) morre em Salvador.

Agosto, 21
Raul Seixas (Raul Santos Seixas) morre em São Paulo aos 44 anos de idade.
Raul Seixas