29 de dezembro de 2008

1970 a 1979

**1970**

O CompactDisc (CD) é desenvolvido.
A Philips desenvolve o primeiro gravador de videocassete (VCR).

 Gal Costa: o álbum LeGal foi lançado após a primeira visita de Gal Costa a Gilberto Gil e Caetano Veloso em Londres, trazendo composições inéditas dos músicos em pleno exílio, como Mini Mistério (Gil) e London, London, além do frevo Deixa Sangrar (Caetano.
LeGal - Philips - 765.126 Capa: Hélio Oiticica
FAIXAS: 
Lado A 
1. Eu Sou Terrível (Roberto Carlos/Erasmo Carlos) 
2. Língua do P (Gilberto Gil) 
3. Love, Try and Die (Jards Macalé/Gal Costa/Lanny) 
4. Mini Mistério (Gilberto Gil) 
5. Acauã (Zé Dantas) 
Lado B 
1. Hotel das estrelas (Jards Macalé/Duda) 
2. Deixa Sangrar (Carnaval 1971) (Caetano Veloso) 
3. The Archaic Lonely Star Blues (Jards Macalé/Duda) 
4. London, London (Caetano Veloso) 
5. Falsa Baiana (Geraldo Pereira)

Arranjos de base: Lanny/Macalé
Arranjos de orquestra: Chiquinho de Moraes
Bateria: Norival
Baixo: Cláudio
Guitarra: Lanny Gordin
Piano: Chiquinho de Moraes (Na faixa Love, Try and Die, participação especial de Erasmo Carlos, Tim Maia, Macalé, Lanny e Nana).
Língua do Pê
Composição: Gilberto Gil 
Interpretação: Gal Costa
 Gaparanpantopo quepe vopocêpê
Garanto que você
Nãpão vapai não vai
Nãpão vapai não vai
Compomprepeenpendeper
Bulhufas 
Bulhufas
Dopo quepe tempentapamopos lhepe dipizeper
Não tem problema Não tem problema
Espetapamos pelaí
Não tem problema
Não tem problema
Espetapamopos espepeperanpando coisas pela aí
Smetak tak tak tak (tak tak tak tak tak) Mariá bababa baba baba 
Catuaba  Cachoeira Vão me procurar na Lapa Na gruta da Mangabeira 
Quarta-feira de manhã Quarta-feira de manhã
© Gege Edições Musicais Ltda (Brasil e América do Sul) / Preta Music (Resto do mundo)

Os Novos Bahianos (sim, com "h" na estréia) lançam seu primeiro LP: É Ferro na Boneca (RGE), evidenciando uma linha picodélico-tropicalista.
LP É Ferro na Boneca - RGE XRLP 5340
Comentário de Morais, um dos integrantes do conjunto na fase inicial: “Éramos somente nós cantando... [Morais, - ainda não era Moraes Moreira, Galvão, Baby Consuelo e Paulinho Boca de Cantor]... de instrumento somente meu violão. Chiquinho de Moraes fez todos os acompanhamentos, pois Pepeu e Jorginho ainda não tinham entrado para o grupo”.
 
Raul Seixas dá início a um trabalho como produtor da CBS, produzindo discos de Tony e Frankye, Trio Ternura, Jerry Adriani, Vanderléa e Sérgio Sampaio, também seu parceiro.  

Armando Macedo lança, pelo selo Ritmos, uma produção CODIL, o seu primeiro LP, cuja contracapa é assinada por ninguém menos do que Osmar Macedo, seu pai e ainda por Carlos Coqueijo, importante compositor baiano.
Armando Macedo - CODIL - CDL 13.032
Este primeiro LP de Armando Macedo, tocando bandolim com acompanhamentos de regional, órgão e orquestra,técnicamente, não se trata de uma grande gravação, mas constitui importante registro da execução primorosa do jovem Armandinho ao bandolim. Acompanhado pelo Regional de Canhoto e por Dino 7 Cordas, apresenta um repertório  genuinamente brasileiro, que inclui o Hino ao Senhor do Bomfim. Detalhe: a quarta faixa, Martinha, é composição assinada por Stockler de  Morais e Armando Macedo.
Transcrição dos textos da contracapa:
"Salvador, 20 de Julho de 1970 Meu filho. Com grande satisfação e surpresa recebi a fita da gravação de seu primeiro LP, gentilmente enviada pelo Stockler. Ao ouví-la, a medida que o carretel se desenrolava, ia me enchendo de orgulho e era grande a minha satisfação ao verificar que em cada faixa executada, você demonstrava o progresso que todos os seus amigos, críticos e admiradores esperavam. Gostei muito do pout-pourri. São retalhos de músicas que, aos primeiros acordes, faz-nos transportar aos mais distantes rincões do nosso querido Brasil, e assim, estive em Belém do Pará, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo (Quatrocentão do meu inesquecível amigo Garôto), Guanabara e finalmente nossa terra a Bahia. Pena que não deu para os demais estados, igualmente merecedores das suas homenagens, ficando entretanto, acondicionados na estraordinária obra do consagrado compositor Miguel Gustavo: "PRA FRENTE BRASIL". Com pureza e delicadeza, você colocou seu coração no Hino ao Senhor do Bonfim. Como não poderia deixar de ser, seu "forte", a execução, foi muito bem demonstrada em Tico-Tico no Fubá e Benteví Atrevido. Foi uma produção bôa para a folga que lhe permiti, durante as férias de junho. No fim do ano, você terá mais tempo para brindar os amantes do bandolim com um programa mais extenso. Pode prometer aos seus fans, inclusive, a participação do seu pai com as músicas que deram início ao já famoso em todo o Brasil: TRIO ELÉTRICO. Um grande abraço do seu pai. Osmar Macedo"
"HISTORINHA DA M.P.B
Carlos Coqueijo

1938: Osmar Macedo, que tocava bandolim desde os 13 anos, entrou para o conjunto "Os três e meio", do qual já participara Dorival Caymmi. Demais companheiros de Osmar: Adolfo Nascimento (Dodô), Reginaldo, Duvaltércio, Milton Contreiras, Rupiara (recentemente falecido) e Aurino.
1946: dissolveu-se o conjunto, Osmar passou a tocar só com Dodô, quando este começou a aperfeiçoar os microfones para violão elétrico. Na época, os violões recebiam adaptação e, como tinham caixa harmônica, davam microfonia. Dodô, após exaustivas experiências, descobriu que um violão macicço, sem caixa, não apresentav a este defeito.
1948: conseguida esta vitória de ordem técnica, Dodô organizou, com Osmar, um novo conjunto, formado de dois instrumentos elétricos - violão e cavaquinho -, que tomou o nome de "Dupla Elétrica" e atuou pela primeira vez na Rádio Excélsior.
1950: foi o ano que isso aconteceu. E nesse mesmo ano, no Carnaval, saiu a "Dupla Elétrica", numa "fubica", que é como se chamava o velho Ford.
1951: tal foi o sucesso no Carnaval anterior, que no desse ano foi organizado um novo carro, mais possante, com iluminação fluorescente e quatro bocas de alto-falantes. O velho companheiro Reginaldo Silva foi mais um violão e nasceria o "Trio Elétrico". Aí então Miguel Vita descobriu o filão e contratou o grupo para o ano seguinte, sob o patrocínio exclusivo da sua firma. O maior animador do conjunto era Armando Costa, avô de Armandinho do Bandolim e sogro de Osmar.
1952: Reginaldo foi substituído por Temístocles Aragão, por motivo de saúde.
1959: a fama do "Trio Elétrico" transpôs as fronteiras estaduais, apresentando-se no Carnaval do Recife. Foi uma apoteose.
1960: o "Trio Elétrico" saiu às ruas da Bahia pela última vez. Morreu, o velho Armando. Já havia imitadores.
1962: Armandinho começa a dedilhar o bandolim encostado de seu pai. Osmar reanimou-se e preparou um pequeno "Trio Elétrico", tendo Armandinho como figura central. Ele tinha apenas nove anos.
Daí por diante, Armandinho formou o seu próprio grupo, aderiu ao iê-iê-iê, tocando a guitarra elétrica, tendo seu irmão mais velho, Alberto, ao contrabaixo eletrônico.
1968: a caminho da Grande Chance.
1969: chegou lá, viu e venceu, desde o Municipal até o Oiapoque e o Chuí."

FAIXAS: 

Lado A 

1. Arrependimento (c/orquestra) 

2. Viola Enluarada (c/orquestra) 

3. Tico-Tico no Fubá (c/regional) 

4. Martinha 

5. Desespero (c/Dino) 

6. Hino do Senhor do Bonfim 

Lado B 

1. Pot-pourrit: (c/Dino) Aquarela do Brasil/Peguei um Ita no Norte/Iracema/Vassourinhas/Prenda Minha/Minas Gerais/São Paulo Quatrocentão/Cidade Maravilhosa/Baixa dos Sapateiros/Prá Frente Brasil 

2. Molambo c/regional) 

3. Divagando pelo Cais (c/Dino) 

4. Bentevi Atrevido (c/regional) 

5. Carolina 6. O Destino Desfolhou c/orquestra)

[Agradecimentos ao Tales e ao Blog Toque Musical]  

 Maio, 18
The Beatles: LP Let It Be (Apple Records) é lançado, após a dissolução do grupo.
Maio, 20
The Beatles: Let It Be (Filme) é lançado. Direção: Michael Lindsay-Hogg, Yoko Ono, Linda Eastman.
Julho, 06 
 
Maestro Agenor Gomes, da Hora da Criança, morre em Salvador.
Setembro, 18
Jimi Hendrix, guitarrista e compositor, ícone da música rock, morre em Londres, aos 27 anos de idade.
Outubro, 4
Janis Joplin morre de uma overdose acidental de heroína.
Dezembro
John Lennon, numa entrevista ao jornal Rolling Stones, aos 30 anos de idade, declara que "O Sonho Acabou" (The Dream is Over), frase cheia de significados, no contexto de uma época, que será depois apropriada por Gilberto Gil em uma de suas canções do disco Expresso 2222, em 1972.

Trio Elétrico Tapajós: LP Muito Ligado. Constituído de oito faixas, todas denominadas "pot-pourrit", este disco registra a sonoridade típica do trio elétrico e o padrão de repertório, que inclui antropofágicamente tudo, de marchinhas a forró.
LP Muito Ligado - Fontana FTLP 69042 - 1970
Músicas: 
Pra Frente Brasil/Verão Vermelho/País Tropical/Maestro Aquele Abraço/ O Primeiro Clarim/Brincando com Bebeto/Saudade de Iguape/Na Onda do Berimbau/Flor de Laranjeira/Foi um Rio que Passou em Minha Vida/O Pequeno Burguês

Texto de contracapa assinado por França Teixeira (locutor Esportivo da Rádio Cultura da Bahia, – comunicador do mais ouvido e discutido programa radiofônico baiano da época, que ia ao ar diáriamente das 12 às 13h). 
 
“FERRO NA BONECA FAMÍLIA BRASILEIRA O Trio Elétrico Tapajós é taca. Não tem babado, tá falado. Botou o boneco na tela e pronto: interrompe-se o trabalho, as máquinas param, engarrafa o trânsito, o feijão queima na panela, a briga fica para outro dia, a paquera fica interrompida, enfim tudo cede lugar à música otimista, contagiante e arrebatadora que estraçalha de alegria a Cida de toda a paróquia. Todo mundo fica lelé da cuca. Todos se misturam pulando mais do que Saci em chapa quente, todos se virando mais do que charuto em boca de bêbado, embora sabendo que no outro dia estarão reduzidos a ossos de borboleta, mas satisfeitos porque o negócio, nesta de Trio Elétrico, é mesmo prá cada um ficar na sua e botar prá fazer fissura no osso. É loucura esbuguelativa da Pátria de Gil, Caetano, Caymmi e Jorge Amado. Todos picaretas da pesada e que igual ao Trio se comunicam fácil com o povo. E quando se fala em Tapajós só dá povo. O que é super quente porque esse não é frio, é trio. No mais vou dizer: os caras do Trio Tapajós vestem as músicas com camisinha de viaaaagem. Assim ela chega mais perto de você porque vestida com camisinha de viaaaagem, claro que fala mais alto. FERRO NA BONECA, família brasileira – Êste LP é bom paca. Quem não comprar tá multado: já morreu, porque não foi atrás do Trio Elétrico. SIFU. França Teixeira (Zé Veneno)"
Caminhão do Trio Elétrico Tapajós
**1971**
O primeiro microship é produzido.
Gilberto Gil: LP Gilberto Gil. Gravado em Londres. (Universal)
Roberto Carlos filma A 300 KM por Hora, grava Detalhes, Amada Amante, Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos (homenagem a Caetano, no exílio).
RC, Wanderléa e Erasmo Carlos visitam Caetano e Gil em Londres.
Janeiro
Caetano Veloso, exilado em Londres, tem permissão para passar um mês no Brasil, por ocasião do aniversário de 40 anos de casamento dos pais. No Rio, é praticamente seqüestrado pelos militares, que lhe pedem, em um interrogatório, que componha uma canção elogiando a rodovia Transamazônica, então em construção. Lógico que Caetano não atenderia ao pedido do governo Garastazu Médici, o mais ditatorial do regime militar. Entretanto, coincidência ou não, seu segundo LP "inglês" será intulado Transa. Uma ironia, talvez, com a Transamazônica?
Junho
Caetano Veloso: o primeiro disco inglês (LP Famous/Paramount Records) é lançado no mercado brasileiro: Caetano Veloso, pela Philips.
Caetano Veloso: saga britânica
No segundo semestre, grava e lança outro LP em Londres: Transa (selo Famous, da Paramount Records), que só será lançado no Brasil em Março de 1972.
Setembro, 09
John Lennon: lançamento nos EUA do LP Imagine, com a Plastic Ono Band e a Fiddlers Flux (cordas). 
Imagine - LP - Vinil 12" Gravadora Apple, EMI
Capa: design e fotografia por Yoko Ono.

Novembro

  Gal Costa convida Waly Salomão para dirigir o seu show Gal A Todo Vapor, no teatro Tereza Rachel (RJ). Esse espetáculo é aclamado como o clímax musical da contra-cultura no Brasil. Gal torna-se a cantora referência para os representantes desse movimento, em pleno regime militar. O show é registrado ao vivo em álbum duplo Gal A Todo Vapor, pela Philips.
LP Philips 6349 020/021 Capa: Luciano Fiqueiredo/Oscar Ramos
 O encarte mostra Gal ao lado de Baby Consuelo, Paulinho Boca de Cantor, Morais (Moraes Moreira), José Simão, Pepeu Gomes, Waly e Jorge Salomão.
Dezembro  

  Caetano Veloso lança o compacto duplo O Carnaval de Caetano, incluindo o frevo Chuva, Suor e Cerveja
**1972**
A 1ª tela colorida VCR é lançada.
Desenvolvidos os primeiros sistemas para ligar computadores em rede mundial.


Os Novos Baianos conhecem João Gilberto. O LP Acabou Chorare (Som Livre) evidencia o quanto a influência de João marcaria a nova orientação musical do grupo.
Acabou Chorare (1972) Som Livre SSIG 6004

FAIXAS: 

Lado A 

1. Brasil Pandeiro - Assis Valente Cantam: Baby Consuelo, Paulinho Boca de Cantor e Morais 

2. Preta Pretinha - Morais/Galvão Canta: Morais 

3. Tinindo Trincando - Morais/Galvão Canta: Baby Consuelo 

4. Swing de Campo Grande - Morais/Paulinho Boca de Cantor/Galvão Canta: Paulinho Boca de Cantor 

5. Acabou Chorare - Morais/Galvão Canta: Morais 

Lado B 

1. Mistério do Planeta - Morais/Galvão Canta: Paulinho Boca de Cantor 

2. A Menina Dança - Morais/Galvão Canta: Baby Consuelo 

3. Besta É Tu - Pepeu Gomes/Morais/Galvão Canta: Morais 

4. Um Bilhete Pra Didi - Jorginho Gomes Instrumental 

5. Preta Pretinha - Morais/Galvão Canta: Morais 


Baby Consuelo: Voz, Percussão 

Paulinho Boca de Cantor: Voz, Percussão 

Morais: Voz, Violão base 

Pepeu Gomes: Guitarra, Violão solo, Craviola 

Dadi: Baixo 

Jorginho: Bateria, Bongô, Cavaquinho 

Baixinho: Bateria, Bongô, Bumbo 

Bolacha: Bongô Arranjos: 

Morais e Pepeu Gomes



LP Atabaque e Berimbau - Eu, Bahia. Edinho Marundelê e Onias Comenda:
LP Philips 6470.003 Série Médium 1972

FAIXAS:

LADO 1

Edinho Marundelê:


1. SÊQUECÊ (Oração aos Orixás, Ritual Angola)

OUIUMBA OUIUMBA É DE MÊ (Pergunta, Ritual Angola)

(Edson Emetério de Sant'Anna)

2. EREUM MALÉ (Saudação à Oxum, Ritual Gegy)

YÊYÊ Ô ((Saudação à Oxum, Ritual Gegy)

YADA BAÔ (Saudação à Oxum, Ritual Gegy)

3. MINA ORAÊ (Saída de Caboclo)

TÊTÊTÊ DA CABOCLA KISSANGA (Ritual de Caboclo)

(Edson Emetério de Sant'Anna)

4. ORIDÊ DEÔ (Saudação à Oxum, Ritual de Kêtu)

(Edson Emetério de Sant'Anna)

5. CAMBINDA QUEURAQUARA (Pedido de Licença para entrar no Terreiro de Angola, Ritual Angola)

(Edson Emetério de Sant'Anna)

6. DILANUMATAMBANGOLA (Despedida de Nanã, Ritual Angola)

(Edson Emetério de Sant'Anna)



LADO 2

Onias Comenda:

1. TOQUES TRADICIONAIS (Angola, São Bento Grande, Santa Maria e Idalina)

2. CANTIGAS DA CAPOEIRA

3. TRIO DE BERIMBAUS (Gunga, Viola e Viola Centro)

4. DESAFIO DA VIOLA COM O BERIMBAU

5. BERIMBAU (Improvisação)

6. Ê TAVA LÁ EM CASA (Onias Camardelli)


FICHA TÉCNICA:

Direção de Produção: Roberto Santana

Direção de Estúdio: Mazola

Estúdio: J.S. Bahia
Capa: Onias Comenda
Foto: Humberto Rocha
Observações: Produzido pelo nosso Deptº Artístico da Bahia (Philips)
Capa: José Cruz

 [Agradecimentos ao blog Toque Musical]

Salomão, LP do The New Dave Pike Set & Grupo Baiafro in Bahia
The Dave Pike Set: boa integração com músicos da Bahia
Dave Pike: fusões rítmicas e melódicas com o Grupo Baiafro
FAIXAS: 1. Salomão
2. Berimbrass
3. An Evening with Vincent
4. Samba de Rhoda
5. Baion
6. Baiafrock
7. Marc
THE NEW DAVE PIKE SET
Marc Hellman - Bateria
Volker Kriegel - Guitarra
Dave Pike - Vibrafone
GRUPO BAIAFRO
Djalma Corrêa - Pinicos, Atabaques, Timbales, Agogô, Instrumentos de Percussão, Triângulo
Edson Emetério de Sant"Anna - Atabaques, Surdo
Onias Camardelli - Berimbau, Atabaques, Pandeiro
Gravado eentre 18 e 21 de Junho de 1972
Somil Estúdios - RJ
Engenheiro de Som: Selio S. Martins
Fotos da Capa: Hartmute Budde, Claus Schreiner
Design da Capa: MPS-Atelier
Produção: Claus Schreiner
Todas as faixas são composição coletiva (Dave Pike Set/Grupo Baiafro), exceto a composição Vincent van Ritz (Eberhard Weber)

Janeiro
Caetano Veloso retorna definitivamente do exílio. A música de Jorge Ben(jor) Lá Vem o Mano, na voz de Maria Bethânia, comemora seu retorno.
Janeiro, 14
Gilberto Gil: de volta do exílio, vem morar em Salvador.
Fevereiro
 
Caetano e Gil: Lançamento do LP Barra 69 Caetano e Gil ao Vivo na Bahia - registro do último show da dupla antes do exílio. O disco inclui um pop-pourrit com Alegria, Alegria, Aquele Abraço e o Hino do Esporte Clube Bahia, composição de Adroaldo Ribeiro Costa.
LP Barra 69: a despedida antes do exílio Philips/Polygram 818 558-2 Compact Disc Digital Audio
Texto da contracapa, assinado pelo empresário Guilherme Araújo:
"bilhete de Londres
finalmente, depois de dois anos, ouvi aqui a fita do show de despedida que Cae e Gil fizeram em Salvador. Foi o primeiro espetáculo dos dois que eu não vi, não produzi, não me envolvi. Já estava aqui, à espera do desafio para recomeçar tudo do zero. Quando a fita acabou de rodar no gravador, disse a Cae que tínhamos que fazer o possível pra Philips soltar isso. Não importa o que Cae e Gil fizeram depois ou o que ainda vão fazer. Não interessa a má qualidade técnica da fita. Não interessa a opinião de músicos que não sabem ouvir. Essa fita encerra uma fase das carreiras de Cae e Gil e passa a jogada pra vocês. Antes de acabar, com a licença dos dois e de vocês, quero dedicar esse disco aos novos baianos. É por causa da força da Bahia, que esse disco chega, mesmo com atraso, aos que se interessam pelo nosso trabalho e pela música popular brasileira.
Janeiro, 1971.
Guilherme Araújo"


Gilberto Gil: edição especial da revista Bondinho traz a público uma entrevista com o músico, acompanhada de um disco EP com as faixas: O Sonho Acabou, Oriente, Felicidade Vem Depois (sua primeira composição, de 1962) e Expresso 2222.
Compacto duplo - Philips -  6069.029 

1 - Gilberto Gil: Trecho da gravação realizada pela equipe de reportagem da revista O Bondinho, lançada junto com a edição de nº 34 da revista.
2 - Paulinho da Viola interpretando a mesma composição (Songbook Gilberto Gil Vol.3)
 
Felicidade Vem Depois (Se Você Disser)
Composição: Gilberto Gil (1962)
   
Se você disser
Que ainda me quer, amor
Eu vou correndo lhe abraçar
Seus beijos, seus carinhos
Vivo a procurar
Como o poeta busca a inspiração
Nas noites de luar

Se você disser
Que ainda me quer, amor
Eu vou correndo lhe abraçar
E unidos, bem juntinhos
Partiremos só nós dois
E o bom, felicidade
Vem depois
     © Gege Edições Musicais Ltda / Preta Music 


Gravado ao vivo no Rio de Janeiro e publicado pela revista
O Bondinho.Gillberto Gil, Voz e Violão
FAIXAS:
LADO 1
1 - O Sonho Acabou (Gilberto Gil)
2 - Oriente (Gilberto Gil)
LADO 2
1 - Felicidade Vem Depois (Gilberto Gil)
2 - Expresso 2222 (Gilberto Gil)

 
Fevereiro
 
Trio Elétrico Tapajós: Orlando Campos inova mais uma vez: inspirando-se na aeronave francesa Concorde, constrói um trio elétrico completamente surpreendente e batiza-o de Caetanave - homenageando assim ao músico Caetano Veloso, recém-chegado a Salvador, após o exílio em Londres.
Caetanave na avenida
Setembro

 O Trio Elétrico Tapajós grava material ao vivo, nas ruas do Rio de Janeiro, e lança o LP Caetanave.
LP Caetanave/1972 - Fontana/Philips 6488 022


FAIXAS: 

Lado A 1. Frevança - Tom/Dito 

2. Caetanave - Roberto Santos 

3. Duduca - Toinho Alves 

4. Estamos Aí - Edil Pacheco/Paulinho Diniz 

5. Tapajós no Rio - Roberto Santos 

6. Trampolim - Caetano Veloso/Maria Bethânia 

7. Summer Holiday - Tony Temple/Dell Clyde Deixa Sangrar - Caetano Veloso Lado B 

1. Martin Cererê (Imperatriz Leopoldinense - Samba-enredo 1972) (Zé Catimba/Gibi) Maria Vai Com as Outras - Toquinho/Vinicius de Moraes Quizás, Quizás, Quizás - Osvaldo Farrés Chuva, Suor e Cerveja - Caetano Veloso Vem Me Ajudar (Get Me Some Help) - Daniel Vangarde/Nelly Byl Vrs. Rossini Pinto Cada Macaco no Seu Galho - Riachão Cavaleiro de Aruanda - Tony Osanah O Meu Amor Chorou - Luis Marçal Neto 

Direção de Produção: Roberto Santana
video
Vídeo extraído do site:
[http://tropicalia.com.br/olhar-colorico/videos/caetanave]
Março
Lançamento, no Brasil, do LP Transa, de Caetano Veloso, com capa em formato tridimensional, na concepção discobjeto (Álvaro Guimarães).  

  Discobjeto: capas montadas do LP Transa, em formato tridimensional.

Ficha técnica original:
Produzido por Ralph Mace
Arranjos: Jards Macalé, Tutti Moreno, Moacyr Albuquerque e Áureo de Sousa
Criação do discobjeto: Álvaro Guimarães (Verbo)
Planejamento gráfico: Aldo Luiz
Fotos: Deca, Ricardo Lisboa e Juca Gonçalves
(Clique para ampliar) 
Armando Andrade Tudela, "Transa" 2005
(9 cópias da capa do álbum Transa, Caetano Veloso, 1972)

Nine Out of Ten, (considerada por Caetano a sua melhor canção em inglês, em depoimento de 1991) traz uma vinheta, no início e no final da faixa, com alguns compassos de música reggae, descoberta pelo músico nas suas andanças em Portobelo Road, ao lado de Péricles Cavalcanti.

 
Nine Out of Ten 
Composição: Caetano Veloso
Interpretação: Caetano Veloso

Walk down Portobello road to the sound of reggae
I’m alive
The age of gold, yes the age of
The age of old
The age of gold
The age of music is past
I hear them talk as I walk yes I hear them talk
I hear they say
Expect the final blast
Walk down Portobello road to the sound of reggae
I’m alive

I’m alive and vivo muito vivo, vivo, vivo
Feel the sound of music banging in my belly
Know that one day I must die
I’m alive

I’m alive and vivo muito vivo, vivo, vivo
In the Eletric Cinema or on the telly, telly, telly
Nine out of ten movie stars make me cry
I’m alive
And nine out of ten film stars make me cry
I’m alive
  © Editora Gapa

Julho

Gilberto Gil: LP Expresso 2222: Oriente, Back in Bahia, O Sonho Acabou.
 

A faixa título evidencia a influência de Jackson do Pandeiro na construção rítmica e vocal. Chiclete com Banana, o samba bop de Gordurinha e Almira Castilho, de letra antropofágica, defende a música nacional.

 LP Expresso 2222
Novembro, 10 
Torquato Neto suicida-se no Rio de Janeiro, aos 28 anos de idade. O tropicalista, embora piauiense, vivera na Bahia. Quem conheceu de perto a sensibilidade do poeta tropicalista atribui o sucídio ao "horror que ele teve pelo país mergulhado nas trevas da obscuridade da ditadura" (Rogério Duarte).
Novembro, 22
Moreno Veloso, filho de Caetano e Dedé Veloso, nasce em Salvador.
Dezembro
Caetano e Chico: lançamento do LP Caetano e Chico Juntos e Ao Vivo, gravado no Teatro Castro Alves, em Salvador, nos dias 10 e 11 de novembro, com a participação do grupo MPB-4.
**1973**
Dez mil componentes são colocados num chip de 1 centímetro quadrado.
Raul Seixas ganha popularidade com a composição Ouro de Tolo, juntamente com Al Capone e Eu sou a Mosca... do LP Krig-Há Bandolo.
Novos Baianos: LP Novos Baianos Futebol Clube.
Novos Baianos F.C. - Continental SLP 10.101
FAIXAS:
1. Sorrir e Cantar Como Bahia (Morais/Galvão)
2. Só Se Não For Brasileiro Nessa Hora (Morais/Galvão)
3. Cosmos e Damião (Morais/Galvão)
4. Samba da Minha Terra (Dorival Caymmi)
5. Vagabundo Não É Fácil (Morais/Galvão)
6. Com Qualquer Dois Mil Réis (Morais/Pepeu Gomes/Galvão)
7. Os ''Pingo'' da Chuva (Morais/Pepeu Gomes/Galvão)
8. Quando Você Chegar (Morais/Galvão)
9. Alimente (Jorginho Gomes/Pepeu Gomes)
10. Dagmar (Morais) 
Baby Consuelo: Voz, Afochê, Triângulo, Maracas
Paulinho Boca de Cantor: Voz, Pandeiro
Morais: Voz, Violão base, Ucalelê
Pepeu Gomes: Guitarra, Violão solo, Craviola, Bandolim
Dadi: Baixo, Violão
Jorginho: Bateria, Bongô, Cavaquinho
Baixinho: Bateria, Bongô, Bumbo
Bolacha: Bongô
Arranjos: Morais e Pepeu Gomes
Direção de Produção: Ramalho Neto
Walter Smetak: gravação do primeiro LP, na Seção Cultural da Philips.
 Lp Smetak, 1974. Capa: Rogério Duarte
 (Clique para ampliar)
"Todas as músicas de composição de Walter Smetak Produtores - Caetano Veloso e Roberto Santana Montagem - Gilberto Gil e Caetano Veloso Músicos: Smetak, Gereba, Tuzé Abreu, Djalma Corrêa, Capenga, Caetano Veloso, Roberto Santana, Helena, Andrea, Heloísa, Jorge Bradley e Ray"
[Agradecimentos ao blog Abracadabra - LPs do Brasil]
 
Janeiro
Caetano Veloso lança o LP Araçá Azul ( Philips 6349054). Trabalho experimentalista e anticomercial, surpreende o público e bate o recorde de devoluções de discos da MPB, sendo logo retirado de catálogo.
Araçá Azul: uma provocação experimental, seguindo a linha de Widmer e de Smetak.
A faixa Sugar Cane Fields Forever é uma colagem, com Edith Oliveira (Edith do Prato), voz e pratos nos sambas-de-roda, viola brasileira, pandeiro, atabaque, baixo, piano, bateria, vibrafone, flauta, passarinho de barro, máquinas, orquestra de cordas, etc.
Araçá Azul: um disco para entendidos
Os arranjos são de Perinho, Caetano Rogério Duprat, na linha experimental: superposição de vozes, grunhidos, sons com sugestão de música, afinal, Widmer já havia sugerido: - Por que vocês não fazem um trabalho sem usar as tradicionais "bases"?
 
Épico   
Composição: Caetano Veloso   

Ê, saudade   
Todo mundo protestando contra a poluição   
Até as revistas de Walt Disney   
Contra a poluição   
Ê, Hermeto   
Smetak, Smetak & Musak & Smetak  
& Musak & Smetak & Musak 
Razão   
Ê, cidade   Sinto calor, sinto frio 
Nor-destino no Brasil?   
Vivo entre São Paulo e Rio 
Porque não posso chorar   
Ê, começo   
Destino eu faço não peço   
Tenho direito ao avesso   
Botei todos os fracassos   
Nas paradas de sucessos   
Ê, João
   
© Editora Gapa
Ficha técnica da faixa Voz: Caetano Veloso Arranjo: Rogério Duprat  
 
Agosto, 18
Xexéu (Alfredo de Souza Cerqueira Filho) nasce em Salvador.
**1974**
Imagem adaptada de [Pop - 1974-08] Fotos: José Joffily/Leonardo Costa
Gilberto Gil desfruta uma proveitosa temporada de verão na praia de Itapoã, na Bahia, quando passa vários dias pesquisando o fundo do mar com uma máscara de mergulho. Nesse período, mergulha fundo na obra de Smetak, produz Luís Melodia, acompanha e em seguida produz Jorge Mautner e canta com Caetano e Gal no Teatro Castro Alves, no show cujos melhores registros estão no LP Temporada de Verão. O grupo que passa a companhr Gil grupo nessa época: Aloísio Milanez (piano), Tuti Moreno (bateria), Rubens Sabino (baixo), Chico Azevedo (percussão) e Frederiko (guitarra).
 
Lindembergue Cardoso forma-se em Composição e Regência pela Escola de Música da UFBa.

Novembro, 01
 
O primeiro bloco afro é criado no Curuzú, em Salvador - Bahia:
Negros trabalhadores do Pólo Petroquímico de Camaçari, recém-instalado em Salvador, Bahia, criam o bloco afro Ilê Aiyê. A proposta de afirmar e valorizar a cultura negra faz com que o bloco só admita integrantes afro-descendentes.

  Trio Elétrico Tapajós: LP Caetanave 2
Caetanave 2


FAIXAS:

Lado A 

1. Homenagem a Caetano 

 Atrás do Trio Elétrico 

 Deixa Sangrar 

 Chuva, Suor e Cerveja Um Frevo Novo 

2. Sambas de Sucesso Desafio Vamos Sacudir Orgulho de um Sambista 

3. Marchas Antigas Pó de Mico Me Dá Um Dinheiro Aí 

4. Frevo Baiano Frevo Fervendo Ferreira no Frevo 

5. Tema de Novela O Primeiro Amor 

Lado B 

1. Carinhoso 

2. Águas de Março 

3. Eu Só Quero Um Xodó 

4. Mosca na Sopa 

5. Sem Grilos 

6. Forever and Ever
**1975**
Primeiro microcomputador desktop. O Altair 8800 nasce como um kit distribuído na revista Popular Electronics. Um estudante, entre muitos leitores, aprecia bastante a idéia. Seu nome: Bill Gates.
Ilê Aiyê: a composição Ilê Aiyê (Que Bloco é Esse?) de Paulinho Camafêu, marca a estréia do bloco no carnaval e será retomada por Gilberto Gil no LP Refavela, em 1977.   
Novos Baianos: Vamos Pro Mundo. Este álbum já é sem a presença de Morais, que parte para a carreira solo, como Moraes Moreira.
LP Vamos Pro Mundo Som Livre - 1975
Foto interna (clique para ampliar)

FAIXAS: 

1. Vamos pro Mundo - Galvão/Pepeu Gomes 

2. Guria - Galvão/Morais 

3. Na Cadência do Samba - Ataulfo Alves/Paulo Gesta 

4. Tangolete - Galvão/Morais 

5. A América Tropical - Morais/Pepeu 

6. Chuvisco - Morais/Pepeu 

7. Escorrega Sebosa - Morais/Paulinho/Galvão 

8. Ô Menina - Morais/Galvão 

9. Um Dentro do Outro - Jorginho/Pepeu 

10. Um Bilhete pra Didi - Jorginho 

11. Preta Pretinha no Carnaval (Preta Pretinha) - Morais/Galvão 


Músicos: Baby Consuelo - Paulinho Boca de Cantor - Pepeu Gomes - Jorginho Gomes - Dadi - Charles Negrita - Baixinho - Bola

Raul Seixas lança os LPs Gita e Vinte Anos de Rock.

Carlinhos Brown inicia como músico percussionista, tendo como mestre Pintado do Bongô (Osvaldo Alves da Silva).
Janeiro
Lançamento  do LP Jubileu de Prata (25 Anos do Trio Elétrico), primeiro registro fonográfico do som do Trio Elétrico Dodô e Osmar, gravado no final de 1974, com direção artística de Moraes Moreira.
Trio Elétrico Dodô e Osmar -  LP Jubileu de Prata
Texto de apresentação de Caetano Veloso, na contracapa do LP:
"O Trio Elétrico tem sido uma coisa muito importante nas nossas vidas. Um mito, um exemplo de saúde e criatividade artística, um argumento eficaz na discussão contra o pensamento careta que vez por outra tenta destransar o barato da música popular no Brasil. Mas, principalmente para nós baianos, o trio elétrico tem sido sobretudo uma curtição maior deste mundo. Cada carnaval é um acontecimento importante dentro da gente - como tem mesmo que ser o carnaval - por causa do Trio Elétrico. Nunca é demais agradecer a Osmar e Dodô por terem permitido que através da força da sua juventude isso tenha se dado. Moraes, sempre novo e sempre baiano, sabe isso bem certo e bonito. E aí a gente tem esse disco lindo de comemoração dos 25 anos da invenção - digamos invenção - do Trio Elétrico na Bahia, com Dodô e Osmar, os filhos deste (Armandinho, Aroldo e Betinho) e o próprio Moraes cantando o frevo comemorativo e apresentando dois frevos novos seus (e lindos). É o pique antropofágico do som do Trio, carnavalizando tudo o que encontra pela frente - os clássicos mais populares e os populares mais clássicos. Viva a Bahia!"  Caetano Veloso


Jubileu de Prata  
Composição: Dodô / Osmar  
Interpretação: Trio Elétrico Dodô e Osmar  
Vocal: Moraes Moreira

Há 25 anos
Em Salvador surgiu
O frevo, numa fobica
E o famoso Trio

Jubileu de Prata
Luz em cascata
Explosão de alegria
Multidão na folia,
Por todo lado
De fio a pavio
O frevo eletrizado
E a loucura do Trio,
No carnaval da Bahia
Vou tri-eletrizar
É o lugar do mundo inteiro
Que se brinca sem dinheiro
Basta só existir
E na vida passar
Um Trio Elétrico 
De Dodô e Osmar
 

Fred de Góes, no livro O País do Carnaval Elétrico, relata as dificuldades financeiras encontradas por Dodô e Osmar para realizar, em 1975,  o Jubileu de Prata do Trio Elétrico, uma vez que os patrocinadores julgavam que o nome da dupla àquela altura  iria sobrepujar sempre qualquer marca, obrigando-os a investir do próprio bolso uma grande quantia, para, só nos últimos momentos, contarem com uma verba da Prefeitura, que, aliás, já não poderia deixar de patrocinar o Trio, cujo aniversário se constituía no tema central da folia momesca daquele ano.           
[...]"O organismo de turismo do Estado, a Bahiatursa, prepara uma maciça propaganda do carnaval, prevendo lucros fabulosos com o evento. Por sua vez, o Governador, que até quase as vésperas da grande festa não se havia manifestado, resolve receber a Dupla em palácio, oferecendo-lhes o restante do dinheiro necessário, parte pago antes das comemorações, e parte passado o carnaval. Para a entrega do cheque, o Sr. Antonio Carlos Magalhães, que não costuma perder oportunidade em nada que tenha repercussão junto ao grande público, faz-se fotografar junto a Dodô e Osmar para a capa do Diário Oficial de 24 de janeiro de 1975, e, em pagamento ao donativo que entrega aos criadores do trio, garante a gravação pelo conjunto do "jingle" de sua propaganda político-populista trieletrizado, cuja letra transcrevo. [...]
(Fred Góes, O País do Carnaval Elétrico. Corrupio, 1982. Pág.82) 
 Dodô, Osmar e o álbum do jubileu nas mãos do Governador Antonio Carlos Magalhães. Foto: Acervo pessoal de Aroldo Macedo.
Diário Oficial do Estado da Bahia Salvador - sexta-feira, 24 de janeiro de 1975. "Governo garante a participação do trio elétrico no Carnaval da Bahia. Afirmando que o apoio recebido do Governo do Estado foi "a salvação da lavoura, porque sem ele não nos despediríamos dos baianos na festa do nosso Jubileu de Prata", Dodô e Osmar invadiram ontem, às 12 horas o Palácio da Aclamação, com seus quatorze filhos, sobrinhos e genros, e atacaram a música tema da decoração do trio elétrico este ano: "A Bahia Vai Bem". Dodô e Osmar, que viajaram ontem para São Paulo, a fim de gravar um "jingle" da "A Bahia Vai Bem", receberam, na ocasião, um cheque das mãos do Governador Antonio Carlos Magalhães, reconhecimento prestado às atividades desenvolvidas pelo trio elétrico em favor do turismo baiano. DESPEDIDA Os pioneiros do trio elétrico no Brasil vão se despedir este ano do Carnaval, deixando para Armandinho e os nove irmãos a tarefa de prosseguir o seu trabalho. Este ano sairemos no tradicional caminhão e levaremos a "forbica" em cima, arrodeada de um bolo com vinte e cinco velas em homenagem ao Jubileu de Prata. "O tema será "A Bahia Vai Bem", numa prova do nosso reconhecimento ao trabalho do Governador Antonio Carlos Magalhães pelo Estado". A MÚSICA A dupla tradicional do Carnaval baiano fez um arranjo "trieletrizado" para a música "A Bahia Vai Bem", em ritmo lento e de frevo. "O povo vai endoidar com a letra, que é muito movimentada e de fácil apreensão. O embalo nós damos. Vai ser uma barbaridade". Osmar conta que este ano enfrentou "enormes dificuldades para a festa de despedida". As firmas que procurou se negaram a ajudar alegando que o nome "Dodô e Osmar" aparecia mais que o do patrocinador. - Assim, diz Osmar, se não fosse o Governador Antonio Carlos Magalhães a   gente não saía mesmo. Assistiríamos o Carnaval como qualquer baiano, pulando atrás de outros trios elétricos ou sentados em cadeiras na avenida". Depois de receberem o cheque do Governador Antonio Carlos Magalhães, Dodô e Osmar lhe entregaram um disco comemorativo do Jubileu de Prata do trio elétrico no Brasil e mostraram uma gravura com desenhos do caminhão decorado na base de "A Bahia Vai Bem". O Governador elogiou o trabalho e o disco, prometendo ajudar ainda mais até o fim do Governo, "para que vocês tenham condições de exportar sua música, que considero a mais autêntica de todo o Brasil". Dodô e Osmar retornam no fim da semana de São Paulo trazendo o "jingle" com a gravação de "A Bahia Vai Bem". "Depois - concluíram - vamos afinar os instrumentos para sair nos quatro dias. Afinal, este ano nos despedimos do Carnaval e vamos mesmo botar prá quebrar"











Ederaldo Gentil - LP Pequenino (Chantecler 2.08.404.074 -1976)
A Bahia Vai Bem
Composição: Batatinha / Ederaldo Gentil 
A Bahia vai bem
 Como vai meu bem querer
 A Bahia vai bem
 Obrigado a você
 Estado que mais se agiganta
 Paisagem mais linda do nosso país
 Trabalhando com amor e cantando
 O povo baiano é um povo feliz
 A Bahia vai bem...

  A composição, de Ederaldo Gentil e Batatinha, fez parte de uma campanha criada pelo então publicitário Domingos Leonelli, como propaganda do governo.
Este período coincide com a saída de Morais da comunidade e do grupo dos Novos Baianos, partindo para uma nova experiência, inclusive como compositor e cantor de carnaval, função na qual já está integrado, por ocasião da comemoração do Jubileu de Prata do Trio Elétrico Dodô & Osmar. Morais pegou o novo impulso, com a retomada do carnaval por Dodô e Osmar, que após vários anos sem desfilar o Trio, voltariam a sair nas ruas a partir de 2004.
(Clique para ampliar) Morais: daqui pra frente será "Moraes Moreira", sugestão do empresário Guilherme Araújo.
O disco Moraes Moreira é o primeiro trabalho solo do músico, no qual já conta com Armandinho Macedo, Dadi, Gustavo e como instrumentistas, ressaltando a influência rock que sempre esteve presente nos trabalhos anteriores de Morais, mas já investindo em novas direções, como no exemplo da composição Guitarra Baiana (Morais). Esse núcleo instrumental reunido por Morais será reponsável pela formação do grupo musical A Cor do Som, mais adiante.
Agosto
Gilberto Gil lança o LP Refazenda, iniciando a "trilogia RE" (Refazenda, Refavela, Realce)
Refazenda - Warner Music (Clique para ampliar)
 Junho
Caetano Veloso: após mais de dois anos sem gravar um LP individual, lança dois álbuns: Jóia e Qualquer Coisa. O primeiro, traz uma releitura de Help!, de Lennon/McCartney. O segundo, traz mais três canções desses autores, revisitando a obra musical dos já então separados Beatles: Eleanor Rigby, For No One e Lady Madonna

 Trio Elétrico Dodô & Osmar:  LP É a Massa
 LP É a Massa Capa: Rogério Duarte
Texto da contracapa, por Gilberto Gil:
"A eletricidade é, ao que parece, a forma de energia que possibilita ao homem conhecer o átomo e o espaço, perceber a curiosa aproximação de uma luz que vai iluminando gradativamente todas as cavidades ainda escuras da mente e do coração... "Agora olhe pro céu, agora olhe pro chão, agora repare a luz, que vem lá do caminhão"... Osmar, você me ensinou que o Elétrico é, e a partir daí a agente tem o direito de sonhar o que o elétrico será. Caetano me ensinou a ver nos Rolling Stones a luz além do elétrico, aquele que já era nos rostos dos Pierrôs e Colombinas antes do Trio. Armandinho é elétrico antes, enquanto e depois que o Trio. (Moraes) Moreira sonha com a luz da Caetanave sobre os telhados de Nova Yorque onde se dê ao mesmo tempo Ituaçu. Eu sonho com a mesma lus nos olhos de Nelson Ferreira, onde se dê ao mesmo tempo o Rock'n Roll. E que mais se Deus é maior que toda luz? No carnaval pelo menos we can get. Satisfaction." Gilberto Gil.
Neste LP, Armandinho já está tocando com o seu pedal Challenger, trazido da Alemanha por Dadi. A sonoridade é totalmente inovadora. A mistura coloca o som dos Rolling Stones na mesma massa, junto com Nelson Ferreira. Gilberto Gil e Moraes Moreira respaldam e legitimam este projeto sonoro, apesar das veementes reações de Dodô Nascimento, que só por muito esforço de persuasão do parceiro e amigo Osmar Macedo viria a aceitar a inclusão daquilo que ele considerava "sujeira" do som (a distorção no timbre da guitarra) e tanto trabalhava para eliminar nos seus amplificadores e instrumentos de corda, desde o primeiro contato com o violão eletrificado.
**1976**
Tom Zé: LP Estudando o Samba.
Novos Baianos: LP Caia na Estrada e Perigas Ver.
Novos Baianos: Caia na Estrada e Perigas Ver - (Tapecar)
Janeiro, 15
Na Bahia, o Candomblé é reconhecido oficialmente como religião, no governo de Roberto Santos. Deixa de ser obrigatório o registro na Secretaria de Segurança Pública, a licença das autoridades policiais para o exercício do culto.
Junho, 24
Show Os Doces Bárbaros, de Caetano, Gal, Gil e Bethânia, estréia no Anhembi, São Paulo. Histórico reencontro no palco,10 anos após o show Nós, Por Exemplo. Os "quatro cavaleiros do após calypso" percorrem o Brasil com o show, registrado em álbum duplo pela Philips e também em filme por Jom Tob Azulay.
Julho, 07
Turnê Doces Bárbaros interrompida com a prisão, por porte de maconha, de Gilberto Gil e do baterista Chiquinho Azevedo, em Florianópolis.
 
**1977**

Janeiro e Fevereiro

  Gilberto Gil e Caetano Veloso participam do 2º Festival Mundial de Arte e Cultura Negra, em Lagos, ficando aproximadamente um mês na Nigéria; a experiência servirá de motivação para o disco Refavela e para uma nova postura de Gil em relação aos aspectos da cultura negra. 
Gil e o Afoxé Filhos de Gandhi  Maio
Gilberto Gil: LP Refavela.
Refavela - Warner Music
Ilê Aiyê, Patuscada de Gandhi, Babá Alapalá, Balafon. Gil assume definitivamente a África e os valores da cultura negra em seu trabalho como artista e busca resgatar ao máximo esses valores. Em Refavela, Gil conta mais uma vez com Roberto Sant’Ana como produtor.
Foto: Claus Meyer (Câmera Três)

"A idéia principal de Refavela é urbana, brasileira, relativa às comunidades negras: é o salto que o preto pobre tenta dar do barraco pro bloco do BNH". [Gilberto Gil, Refavela também é black - Pop 1977-08]
Candomblé, de Djalma Corrêa: um registro sonoro da ancestralidade afro-brasileira.
Candomblé - LP Phonogram/Fontana - 6470 598 
(Clique para ampliar)



Novos Baianos: LP Praga de Baiano (Tapecar). O grupo já se firma, de maneira inovadora, como uma banda de Trio Elétrico, no carnaval de Salvador.
LP Praga da Baiano - Tapecar LPX53
Baby Consuelo torna-se a primeira cantora a apresentar-se sobre o Trio, ao lado de Paulinho Boca de Cantor.

Setembro, 05
Voyager
EUA lançam duas sondas espaciais, dentro do programa Voyager. As duas sondas (Voyager I e Voyager II) carregam consigo um disco (e a respectiva agulha) de cobre revestido a ouro, com registros do som da Terra, contendo uma apresentação para outras civilizações, com 115 imagens (onde estão incluídas imagens do Cristo Redentor no Brasil, a Grande Muralha da China, pescadores portugueses, entre outras), 35 sons naturais (vento, pássaros, água, etc.) e saudações em 55 línguas, incluindo Português - feita pelo Brasil. Foram também incluídos excertos de música étnica, de obras de Beethoven e Mozart, e "Johnny B. Goode" de Chuck Berry.
Disco LP de cobre, revestido em ouro
Capa do disco, contendo instruções (Clique para ampliar)
Novembro, 05
Fernando Lona (Fernando José Magalhães Lona - Ubaitaba, 19/3/1937) morre vítima de um acidente automobilístico na rodovia BR 116.  

Armandinho e o Trio Elétrico Dodô & Osmar: Bahia...Bahia...Bahia
LP Continental 1.07-405-106
Texto de Osmar, na contracapa:
"Alguém já disse: a família que reza unida permanece unida. Eu digo: a família que toca unida permanece unida. Mais unida do que nunca, estamos neste 3º LP, dando continuidade a um trabalho que começou em 1950 com a criação do Trio Elétrico: música trieletrizada. Quanta satisfação sinto em ouvir meus filhos mandando aquela brasa (perdoem esse pai coruja).
Moraes Moreira, que aderiu aos meus rebentos, enriquecendo sobremaneira esta produção, cantando e compondo. Nesta oportunidade, o meu reconhecimento a Adroaldo Ribeiro Costa, que deu ao Esporte Clube Bahia, este hino, que é executado por todos os Trios Elétricos, desde a sua criação. Obrigado Jacó - você me proporcionou um dueto com meu filho Armandinho que só a musicalidade deste frevo permitiria. Finalizando, volto-me para Pernambuco, terra dos meus pais, que fecha este LP com três clássicos que estão sempre atualizados: viva Nelson Ferreira, viva Levino Ferreira, viva Vassourinhas. Osmar."
Ficha Artística: 
Armandinho - 1º Cavaquinho/Guitarra 
Aroldo - 2º Cavaquinho/Bateria 
Osmar - 3º Cavaquinho 
Betinho - Baixo 
André - Surdão 
Dadá - Bombo 
Ary Dias - Bateria-Frevo Pesado 
Arranjos: Moraes/Armandinho/Aroldo 
Direção Musical: Osmar
**1978**
Djalma CorrêaLP do Grupo Baiafro
 
A partir do estudo de preciosos registros que fez em sessões de terreiros e comunidades da Bahia e de todo o Brasil, Djalma Corrêa juntou mais três percussionistas, e propôs a criação do grupo "Baiafro", para empreender uma tentativa de releitura musical desse acervo, resgatando entidades sonoras desconhecidas ou já esquecidas pelo grande público. O Goethe Institute apoiou a iniciativa, e a Universidade de certa forma também. Tudo isso chegou a despontar no circuito cultural, resultando no que Djalma intitulou de Movimento Integrado Baiafro. "Foi uma releitura séria e verdadeira, envolvendo mães de santo e comunidades baianas. Desse Baiafro foram exportados muitos artistas." (In: http://www.overmundo.com.br/overblog/djalma-correa-sons-repercussivos).  
O LP "Música Popular Brasileira Contemporânea - Djalma Corrêa/Baiafro", foi incluído no livro “300 Discos Importantes da Música Brasileira”, de Charles Gavin, Tárik de Souza, Carlos Calado e Arthur Dapieve, lançado em outubro de 2008. (Série MPBC - 6349.377 - Djalma Corrêa / Baiafro - 1978) 
Baiafro - Djalma Corrêa 1978 - Philips/Phonogram, série MPBC (6349.377)

FAIXAS

Lado A

1. Homenagem a um índio conhecido (Djalma Côrrea)

2.  Samba de roda na capoeira(Folclore baiano,adap. para coral de Fernando Cerqueira)

3. Baiafro (Djalma Corrêa)

4.  Samba de ousadia (Djalma Corrêa)

5. Banjilógrafo (Djalma Corrêa)

Lado B

1. Os quatro elementos - Água/Oxum (*adap. Djalma Corrêa)

2. Os quatro elementos - Terra/Oxossi (*adap. Djalma Corrêa)

3.  Os quatro elementos - Ar/Yansã (*adap. Djalma Corrêa)

4.  Os quatro elementos - Fogo/Xangô (*adap. Djalma Corrêa)




5. Piano de cuia (Djalma Corrêa)

6. Tudo madeira (Djalma Corrêa)

* Temas tradicionais do culto afro-brasileiro


Participações especiais:

Faixa 2: 

Coral da Juventude do Mosteiro de São Bento - Salvador, Ba

Solista: Paulo Gondim

Atabaques: Euvaldo Freitas (Vadinho) e Eduardo Freitas (Dudú)


Faixa A-4:

Cuíca - Neném

Faixa A-5:
Violão: Raimundo Sodré
Faixas B-1, B-2, B-3, B-4:
Violão: Raimundo Sodré
Conjunto de flautas "Musika Bahia"
[Agradecimentos ao blog Abracadabra - LPs do Brasil]

Novos Baianos: LP Farol da Barra (CBS).

Baby Consuelo lança seu primeiro álbum solo: O Que Vier Eu Traço.
WEA BR 30.085

FAIXAS:


Lado A 

1. Ele Mexe Comigo - Pepeu Gomes/Galvão/Baby Consuelo "Baby do Brasil" Participação: Os Mutantes 

2. Sonho Alegre - Pepeu Gomes/Moraes Moreira/Lula 

3. O Que Vier Eu Traço - Alvaiade/Zé Maria 

4. Brasileirinha - Pepeu Gomes/Moraes Moreira/Galvão 

5. Belo Dia - Gilberto Gil 


Lado B 

1. Eu Sou Baby Consuelo - Moraes Moreira/Galvão/Pepeu Gomes 

2. Tudo Blue - Pepeu Gomes/Fausto Nilo 

3. Aquarela do Brasil - Ary Barroso 

4. Samba Fenomenal - Moraes Moreira/Fausto Nilo 

5. O Fole Roncou - Nelson Valença/Luiz Gonzaga


A Cor do Som: lançamento do álbum homônimo, primeiro LP do grupo.
WEA BR 20.027
FAIXAS: 1. Arpoador - Armandinho Macedo/Dadi/Gustavo Schroeter/Mú Carvalho 
2. Na Onda do Rio - Armandinho Macedo 
3. Tigresa - Caetano Veloso 
4. De Tarde na Liberdade - Moraes Moreira/Aroldo Macedo/Fausto Nilo 
5. A Cor do Som - Dadi/Marcelo 
6. Sambavishnu - Pepeu Gomes 
7. Espírito Infantil - Mú Carvalho 
8. Bodoque - Túlio Mourão 
9. Conversando é que a Gente se Entende - Armandinho Macedo 
10. Odeon - Ernesto Nazareth 
11. Pique Esconde - Armandinho Macedo/Dadi/Gustavo Schroeter/Mú Carvalho Formação: Armandinho Macedo, Dadi, Mú Carvalho e Gustavo Schroeter Participações: Joãozinho, Ari Dias e Nenem (percussão)
 
Gilberto Gil: LP Antologia do Samba-Choro: Gilberto Gil & Germano Mathias. (Universal).

Tom Zé constrói instrumentos experimentais, os Instromzémentos incluindo o HertZé, sampler brasileiro (primitivo pré-sampler).

Pepeu Gomes grava seu primeiro disco solo, o LP Geração de Som.
LP Geração de Som - CBS 144273

Músicos: 

Pepeu Gomes: guitarra, guibando, violão, bandolim acústico e elétrico, piano, órgão, voz 

Jorginho Gomes: bateria, cavaquinho acústico, surdo, tamborim 

Didi Gomes: baixo, violão de 7 cordas, reco-reco 

Baixinho: bateria (1, 4 e 11), surdo, tamborim, chocalho, timbales 

Severo: acordeon 

Paulo César Salomão: efeitos sonoros e eletrônicos 

Bola: bongô, chocalho 

Charles Negrita: tumba e agogô 

Baby: afoxé (12) 

Jorge da Cruz: pandeiro 

Juarez: sax tenor 

Luis Bezerra: sax tenor 

Netinho: sax alto e clarinete 

Márcio Montarroyos: trompete 

Maurílio: trompete 

José Alves: violino 

Aizik: violino 

Arlindo Penteado: viola 

Watson Clis: cello 

Arranjos: Pepeu Gomes 

Arranjos de cordas, metais e regência: Paulo Machado 

Gravado nos Estúdios CBS, RJ, em 8 canais, em junho de 1978.


Um detalhe a ser destacado, já na capa do disco, é o Guibando, (uma combinação de dois instrumentos no mesmo corpo: guitarra e bandolim elétrico) criação de Pepeu Gomes. Instrumento construído em conjunto com Paulo César Salomão, um técnico em eletrônica que colaborou bastante com Pepeu em suas pesquisas e realizações na área da luthieria. 
[...]" - Levei quatro anos para conseguir fazer este instrumento. É meu maior orgulho. Primeiro levei o projeto à Gianini, ficaram com ele dois anos, acabaram desistindo, dizendo que eu era maluco. Aí me falaram que tinha um cara em São Paulo que fazia isso. Ele tem uma oficinazinha chamada Solos, e adorou a idéia. Levou dois anos construindo." [...]
[Trecho de depoimento de Pepeu a Ana Maria Bahiana, no livro Nada será como antes: MPB anos 70 - 30 anos depois]
Guibando, criação de Pepeu, na capa do LP Geração do Som/1978
PC Salomão, como era conhecido, trabalhou ainda com Pepeu na engenharia de som, na produção do LP Praga de Baiano, dos Novos Baianos. O seu nome aparece na ficha técnica de diversos outros discos de Pepeu e de Baby Consuelo.  No encarte do CD Infinito Circular, Galvão lhe presta uma breve homenagem.
O Guibando, um 'doubleneck'.
Alternativamente, Pepeu usa nas quatro cordas mais agudas do braço de guitarra a afinação do bandolim: Mi, Lá, Ré, Sol (da mais aguda para a mais grave) para  assim poder usar  a técnica desse instrumento, com a qual ele tem grande afinidade.
Comentando sobre o álbum Acabou Chorare, Galvão nos fornece outras informações sobre esse aspecto de natureza mais técnica: [...] "a aberrante distorção evitada pelos técnicos de som da velha guarda, justamente, era um dos efeitos perseguidos pelo hábil guitarrista Pepeu Gomes. Para obtê-la, lançava mão de muita “maluquice e pesquisa”. A Gianinni Supersonic de Pepeu fende suas bem-vindas distorções em números mais nervosos de Acabou Chorare, como “Mistério do Planeta” e “Bilhete pra Didi” (do irmão Jorginho Gomes). Embora careta, o engenheiro e amigo Paulo César Salomão materializava os loucos insights do guitar hero. Pepeu o exortava: “Quando tocar meu som no rádio quero que digam: ‘É a guitarra do Pepeu!’ Diligente, Salomão varava madrugadas estudando eletrônica. Seu mérito deve ser reconhecido: são as pequenas filigranas que qualificam a alta envergadura desta obra. Ainda não havia recursos para comprar peças novas para a guitarra. Salomão melhorou o som da Supersonic entalhando o instrumento, dentro do qual acoplou capacitores removidos do televisor (não assistido) que a família tinha no sítio. As façanhas obtidas com o “truque do televisor” estão premidas na abelhuda estridência de faixas como “Bilhete pra Didi” e, especialmente, no solo hendrixiano de “Mistério do Planeta”. [...] 
Fonte: Blog Os Novos Baianos por Galvão [http://osnovosbaianos.wordpress.com/2010/11/03/tinindo-trincando/]
 
Junho, 15
Dodô (Adolfo Antonio do Nascimento), um dos responsáveis pela transformação estético-musical no carnaval baiano, morre em Salvador, aos 65 anos de idade.
Dodô, tocando sua guitarra, em 1975. Foto: reprodução. Acervo pessoal de Aroldo Macedo.
Curiosamente, este ano marcaria, apesar do desaparecimento de um dos pares da Dupla Elétrica, o sucesso estrondoso da composição de Osmar Macedo, a antiga Double Morse (1952), já revestida com a letra de Moraes Moreira e renomeada Pombo Correio (1977).   Armandinho e o Trio Elétrico Dodô & Osmar: Ligação, quinto LP do Trio, e o primeiro disco sem a participação de Dodô Nascimento.
LP Ligação
Na contracapa deste disco, Osmar Macedo presta  homenagem ao amigo e parceiro de tantos anos, escrevendo:
"MINHA HOMENAGEM 15 de junho de 1978. Morre Dodô, meu companheiro e parceiro desde 1938. Técnico em eletrônica, artesão por excelência, ele executou quase todos os instrumentos que foram e estão sendo utilizados nestes fabulosos veículos da alegria. Quando senti necessidade de tocar violão tenor e guitarra baiana quase simultaneamente, ele bolou o instrumento de dois braços. Isto foi em 1948. Em 1975, Armandinho, premido pela mesma necessidade, desenhou a guitarra-cavaquinho, que foi prontamente fabricada por ele em dois dias e deu o nome de "Dodô e Osmar" por ser o instrumento da dupla. Me ajudou a proporcionar a maior alegria que o povo pobre da Bahia desfruta. A massa desprotegida da sorte, conta somente com a sua "pelada" e o Trio Elétrico, para os seus poucos momentos de prazer. Obrigado Dodô OSMAR"
**1979**
Março, 23 
Criação do bloco afro Malê Debalê, por moradores do bairro de Itapuã, em Salvador - Bahia.
 
Abril, 25
Fundação do bloco afro Olodum, no Maciel/Pelourinho em Salvador, inicialmente com 800 participantes.  

Agosto

Gilberto Gil: LP Realce, final da "trilogia RE".
Realce (Clique para ampliar)
 Novembro, 12
Carlos Lacerda (Salvador, 26/10/1934) morre em Salvador, aos 45 anos de idade.
Carlos Lacerda, um músico baiano.
Pianista, maestro, compositor e arranjador, iniciou seus estudos de piano aos seis anos de idade. Estudou nos Seminários Livres de Música, onde cursou regência e orquestração com H. J. Koellreutter.
Tocou na Rádio Sociedade da Bahia, foi diretor musical da Gravadora JS e da TV Itapoan, onde acompanhou por 11 anos diversos artistas, ao piano ou com o trio instrumental formado por Lacerda, Perna Fróes e Tutti Moreno.
http://tempomusica.blogspot.com/2010/10/carlos-lacerda.html 

Trio Elétrico Novos Baianos: compacto duplo com repertório de carnaval. 
 
Trio Elétrico Novos Baianos
CBS - SCDP.PF 004/GB 1979

FAIXAS: 

Lado A 

1. Casei no Natal, Larguei no Reveillon - Pepeu/Galvão 

2. Pra Enlouquecer na Praça - Pepeu 

Lado B 

1. Alibabá Alibabou - Charles/Didi/Galvão 

2. Apoteose do Trio pra Dodô - Pepeu 


Direção de Produção/Arranjos/Estúdio: Pepeu 

Estúdios CBS - RJ 

Pepeu - guibando e baixo em Alibabá Alibabou 

Jorginho - bateria em Pra Enlouquecer na Praça 

Baixinho - bateria 

Bola - bumbo 

Charli - pratos, percussão 

Didi - baixo e guitarra em Alibabá Alibabou 

Celso - atabaque em Alibabá Alibabou 

Baby - voz 

Paulinho - voz

4 comentários:

  1. O sucesso do carnaval de 1978 foi a música "Pombo Correio", com nome original de "Double Morse" (composta em 1952 por Dodô e Osmar), que recebeu letra de Moraes Moreira em 1977.
    Somente após o carnaval de 1981, Moraes colocou letra na música "Passo Double Carnaval" (de Osmar e Solon Melo), que passou a se chamar "Dodô no Céu, Osmar na Terra", gravada com voz no disco de Moraes Moreira em 1981 e pelo Trio Elétrico Dodô e Osmar em 1982.
    Parabéns pela página!
    Abs,
    Luiz Vinícius
    luiz.vinicius@yahoo.com.br

    ResponderExcluir
  2. Caro Luiz Vinícius,

    obrigado pela correção, é de pequenos detalhes como esse que se constrói um trabalho de referências confiáveis. Fico lhe devendo por esse favor. A informação já foi revista no texto da cronologia.
    @braços, sucessos!
    Roberto Luis

    ResponderExcluir
  3. Oi, Roberto!
    Fico feliz pela sua atenção!
    No que se refere ao Trio Elétrico Dodô & Osmar, estou à disposição, caso precise, pois, a discografia do mesmo, eu tenho completa.
    Uma coisa curiosa sobre os discos lançados para o carnaval é que, quase sempre o ano de produção é o anterior ao ano da festa.
    Então, eu fico com uma dúvida: o compacto duplo dos Novos Baianos, datado de 1979, foi lançado no início (janeiro, para o carnaval 79) ou no final daquele ano (dezembro, para o carnaval de 80)?
    Abs,
    Luiz Vinícius
    luiz.vinicius@yahoo.com.br

    ResponderExcluir
  4. Luiz Vinícius:
    Você abordou uma questão muito interessante. Veja como fica difícil resgatar a linha do tempo com informações tão díspares.
    Galvão, no seu "Os novos baianos Blog" (um blog muito bom para ser lido) nos traça esse caminho:

    [...] "Lançamos o compacto duplo relacionado abaixo mas, só ficou pronto três dias antes do carnaval, e por isso não houve tempo de divulgá-lo.

    Trio Eletrico Novos Baianos(Novos Baianos
    Compacto Duplo – Tapecar – 1976

    CASEI NO NATAL, LARGUEI NO REVEILLON – (Letra: Galvão – Música: Pepeu)

    Ei!/Ei, ei, ei ei, ei ,ei/Ei!/Ei, ei, ei ei, ei ,ei/thank very muth/Ei!/Ei, ei, ei ei, ei ,ei/Ei!/Ei, ei, ei ei, ei ,ei/Que bom que é casar/No dia de natal/Meu bem/ Que bom poder Largar/Que bom poder Largar/Largar no reveilon/ Ei, ei, ei ei, ei ,ei/Ei/Ei, ei, ei ei, ei ,ei/Meu bem/Seu Nelson/To eu soltinha da Silva/fugi que nem passarimho/ Livre até quarta feira/Ah, ah, ah, ahAí seu carneiroO negocio é só depois de fevereiro

    PRA ENLOUQUECER NA PRACA (Instrumental Pepeu Gomes)

    ALIBABA ALIBABOU (Charles/Jorginho/ Galvão)

    APOTEOSE DO TRIO PRA DODO (Instrumental – Pepeu Gomes)
    Mais uma vez chegamos atrasados e embora cantássemos no trio elétrico as músicas não aconteceram no carnaval.
    No ano seguinte gravamos o LP Praga de Baiano

    Praga De Baiano – 1977 TAPECAR"[ ]


    Galvão, in:
    O TERCEIRO TRIO ELÉTRICO DA BAHIA
    E A RENOVAÇÃO
    Fonte:
    [http://osnovosbaianos.wordpress.com/2010/03/03/68/]

    Portanto, o próprio "novo baiano" é quem está dizendo que o ano foi 1976. Mas nós vemos claramente na contracapa a data 1979.
    E agora?

    ResponderExcluir